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    Herdeiras do Mar -

    Mary Lynn Bracht

    TAG - Experiências Literárias | Paralela
    2020
    304 páginas
    10h 8m
    ISBN-13: 9788584391554
    Português Brasileiro
    4.7
    13728 avaliações
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    Favoritos828Desejados17179Avaliaram13728

    Quando Hana nasceu, a Coreia já estava sob ocupação japonesa, e por isso a garota sempre foi considerada uma cidadã de segunda classe, com direitos renegados. No entanto, nada diminui o orgulho que tem de sua origem. Assim como sua mãe, Hana é uma haenyeo - uma mulher do mar, que trabalha por conta própria seguindo uma tradição secular. Na Ilha de Jeju, onde vivem, elas são as responsáveis pelo mergulho marinho - uma atividade tão perigosa quanto lucrativa, que garante o sustento de toda a comunidade. Como haenyeo, Hana é independente e corajosa, e não há ninguém no mundo que ela ame e proteja mais do que Emi, sua irmã sete anos mais nova. É justamente para salvar Emi de um destino cruel que Hana é capturada por um soldado japonês e enviada para a longínqua região da Manchúria. A Segunda Guerra Mundial estava em curso e, assim como outras centenas de milhares de adolescentes coreanas, Hana se torna uma mulher de consolo: com a penas dezesseis anos, ela é submetida a uma condição desumana em bordéis militares. Apesar de sofrer as mais inimagináveis atrocidades, Hana é resiliente e não vai desistir do sonho de reencontrar sua amada família caso sobreviva aos horrores da guerra. Em Herdeiras do mar, Mary Lynn Bracht lança mão de uma narrativa tocante e inesquecível para jogar luz sobre um doloroso capítulo da Segunda Guerra Mundial ainda ignorado por muitos.

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    Cassio Kendi picture
    Cassio Kendi14/08/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    As vezes é fácil esquecer que existe a palavra 'Mundial' em "2a Guerra Mundial". O currículo escolar e os filmes e livros mais populares sobre o assunto no Brasil tendem a orbitar em torno do Norte/Ocidente. Antes de ler "Herdeiras do Mar" e acompanhar a história das irmãs Hana e Emi, eu não sabia sobre as "haenyeo", mulheres que sustentavam toda uma comunidade em Jeju por meio da colheita marítima; não sabia que o Japão tinha dominado a Coreia por tanto tempo, chegando a proibir a língua coreana no país; não sabia que 100 mil coreanas e 100 mil mulheres de outros países asiáticos, como Indonésia, Filipinas e Malásia, haviam sido escravizadas e abusadas sexualmente por militares japoneses durante a 2a Guerra, e seriam conhecidas pelo eufemismo 'mulheres de conforto'. Fechado o livro, fui saber mais. Digitei 'Comfort Women' no Youtube, e assisti um vídeo após o outro. As entrevistas com as sobreviventes foram as mais desoladoras. Todas já idosas, beirando os 80, 90 anos, e todas, sem exceção, desabavam ao contar seu passado. Em 14 de agosto de 1991, Kim Hak-sun foi a primeira delas a tornar sua história pública. Até hoje, exatos 30 anos depois, o Japão não fez um pedido de desculpas formal, e não admitiu ou tomou responsabilidade legal pelo que elas passaram. 'Não foi escravidão, foi prostituição profissional e voluntária', chegaram a afirmar. Hoje restam 14 'mulheres de conforto' coreanas vivas. "Herdeiras do Mar" é mais que um livro bem escrito, é um memorial do sofrimento coletivo e uma forma de não deixar apagar a história destas mulheres mesmo depois que todas elas se forem. ps: Dois trechos de duas entrevistas "Life as a Comfort Woman" - www.youtube.com/watch?v=qsT97ax_Xb0 - possível habilitar legendas em português "Você pode estar escutando isso pela primeira vez, mas para mim, é tão doloroso. Nesta idade (92 anos), quando eu deveria estar em paz, o governo japonês continua arrastando este assunto. Sempre que eu tenho que falar sobre isso, meu coração se parte além do que se pode imaginar." "My wish is" - www.youtube.com/watch?v=BAKT6lZPT4E - legendas em inglês "É tão injusto. Eu estou tão brava e furiosa, eu não sei como eu vou aliviar esta raiva. Quanto mais eu penso sobre isso, mais forte minha raiva e ressentimento se tornam (...) É por isso provavelmente que eu tenho dificuldades para respirar de tempos em tempos. Tudo o que eu quero é que esses desgraçados (Japão) se desculpem pelo que eles fizeram de errado. Esse é meu único desejo antes de morrer." ps2: Um documentário brasileiro sobre as "haenyo" muito bom que recomendo assistir antes de ler o livro, para ter uma referência, é "Haenyeo, a força do mar": https://www.youtube.com/watch?v=1oASFsXXLDY ps3: se quiser o livro emprestado, só me mandar mensagem.

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    Mary Lynn Bracht profile picture

    Mary Lynn Bracht

    MARY LYNN BRACHT is an American author of Korean descent who now lives in London. She has an MA in Creative Writing from Birkbeck, University of London. She grew up in a large ex-pat community of women who came of age in post-war South Korea. In 2002 Bracht visited her mother's childhood village, and it was during this trip she first learned of the ‘Comfort Women’ captured and set up in brothels for the Japanese military.

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    Mary Lynn Bracht