Leão de chácara -

    João Antônio

    Editora 34
    2020
    120 páginas
    4h 0m
    ISBN-13: 9786555250015
    Português Brasileiro

    Um soco, já disse o crítico Leo Gilson Ribeiro sobre o vigor estilístico de Leão de chácara, comparando seu autor a Céline e Jean Genet, escritores que viveram no universo dos marginalizados e o transformaram em literatura. Publicado em 1975, é o segundo livro de contos assinado por João Antônio (1937-1996). Entre Malagueta, Perus e Bacanaço e este, o golpe de 1964 e a mudança do escritor para o Rio de Janeiro. Esse deslocamento - dos subúrbios paulistanos para a Zona Sul carioca, onde ricos e pobres convivem muitas vezes lado a lado - talvez responda pela diferença de tom, dando a sensação de um mergulho mais fundo e de uma visão mais desencantada da vida urbana. Nos quatro contos do livro, o estilo é mais incisivo, as gírias multiplicam-se, o enredo carrega mais violência - com um ressentimento de classe muitas vezes explícito. Vivendo de otários, na humilhação e no vexame, tendo de suportar as vontades para levantar o tutu dos trouxas, a gente tem bronca dessa raça, diz o personagem Joãozinho da Babilônia no conto homônimo. No mesmo espírito, porém de forma ainda mais intensa, Paulinho perna torta, no texto que fecha o volume, narra sua trajetória, de engraxate a rei da Boca do Lixo paulistana.

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    jose luiz queiroz23/05/2011Resenhou um livro
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    Leão-de-chácara

    Terminei hoje a leitura de Leão-de-chácara, do escritor João Antonio. O livro possui 4 contos, além de um apêndice e uma entrevista ao final. Os contos tem uma linguagem marginal, vadia, malandra. Livro sonoro, para ler em voz alta. Como escrito na introdução ao livro, o autor chegou a ser chamado de Guimarães Rosa urbano, por causa do seu estilo. As histórias podem ser de ficção, mas os cenários e as personagens são pra lá de reais. Existem em qualquer cidade média do no Brasil. Todos os contos se desenrolam em um ambiente marginal, malaco. São relatos de leões-de-chácaras (os famosos seguranças que ficam na porta das zonas) que vivem na noite, entre uma zona e outra, um puta e uma cafetina. A linguagem é direta, sem meias palavras. Não indico para quem gosta apenas de leituras meladas, amorosas. O ritmo do livro é seco,grosso; de frases curtas. Uma literatura bandida do mais alto nível.

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