Monstros fabulosos - Drácula, Alice, Super‑Homem e outros amigos literários

    Alberto Manguel

    Tinta da China
    2019
    234 páginas
    7h 48m
    ISBN-10: 9896715033
    Português

    Desde a infância, há personagens que começam a fazer parte da vida de quem gosta de ler. Depois, e apesar de nós, os leitores, envelhecermos, e de elas, as personagens, teoricamente ficarem na mesma, vão crescendo connosco, fazendo companhia a outras que surgem e ganhando significado para lá dos livros de onde saíram, como amigos de longa data com quem se partilha experiências, aprendizagens e emoções. Alberto Manguel, um dos maiores bibliófilos do mundo, apresenta neste livro, com erudição e humor, mais de 30 das suas personagens preferidas: desde o Jim de Huckleberry Finn ao monstro de Frankenstein, passando pela Capuchinho Vermelho ou pela inteligente Phoebe de À Espera no Centeio, e até o Mandarim, de Eça de Queirós. Através desta partilha, desafia cada leitor a explorar as suas relações pessoais com este tipo de «monstros» imortais e amorosos, e com o tanto que cada um deles transporta da condição humana. Com ilustrações do autor

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    Mariana Dal Chico29/04/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    “Monstros Fabulosos. Drácula, Alice, Super-Homem e outros amigos literários” de Alberto Manguel foi publicado em Portugal pela editora Tinta da China, infelizmente ainda não temos uma edição brasileira. “É com palavras que Alice descobre a diferença entre o que as coisas são e o que parecem ser. São as perguntas dela que fazem sobressair a loucura do País das Maravilhas, escondida, como no nosso mundo, sob uma fina camada de respeitabilidade convencional.”p.37 No livro, Manguel vai comentar sobre mais de 35 personagens literários, fazendo associações entre eles e nossa realidade, com ilustrações autorais na abertura de cada capítulo. Vale ressaltar que esses textos curtos, são personagens que tiveram importância na vida de Manguel, logo a seleção e composição dos ensaios são de cunho muito pessoal. É como se estivéssemos conversando com o autor enquanto tomamos um café. Alguns artigos deixaram a desejar, mas outros textos são sensacionais como por exemplo: - Alice: uso da linguagem como arma. Analise de vários vários personagens “Como o Chapeleiro Louco, sentimos que só nós temos direito a comer e a beber numa mesa posta para muitas mais pessoas, e oferecemos com cinismo a quem tem sede e fome vinho e compota, quando não há vinho e há compota todos os dias, menos hoje.” pp.37-8 - Gertrudes: subserviência feminina. - O monstro de Frankenstein: tão atual que cita Bolsanaro. - Nemo: livros podem apenas iluminar um caminho, não pode impor uma direção. - Elsa Esperta: analogias com fake news. - Quasimodo: o feio e o belo como consequência do nossa necessidade de opostos. - Mandarim: as consequências de escolhas que fazemos e preferimos não saber. Outro ponto positivo é que o autor não se atém apenas à literatura de língua inglesa. Temos Emília — do Sítio do Picapau Amarelo —, figuras bíblicas, personagem secundário de épico chinês, jogo de sombras turco. Gostei muito da leitura, mas não é meu preferido do autor, recomendo para quem quer uma leitura descompromissada da opinião de um bibliófilo que considera seu lar um lugar nas histórias.

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