Eu soube desse livro através do blog pessoal de Bill Gates, GatesNotes, em um artigo chamado "5 summer books and other things to do at home", e quando li a resenha de Bill sobre The Great Influenza eu logo pensei que não seria um bom momento para ler sobre esse assunto, pensei que 2020 já está saturado com palavras como pandemia, vírus, mortalidade e etc. Mesmo assim, dei a chance para ler a sinopse e as primeiras páginas.
Vi algo diferente do que eu imaginava, esta obra de John Barry não se trata apenas da pandemia da Gripe Espanhola -nome que o autor propositalmente evitou no decorrer do livro-, mas também de parte da história da medicina moderna como a conhecemos. Barry não começa detalhando sobre o Influenza, mas sobre como a medicina norte-americana (e a mundial) vinha sendo quase a mesma desde a época de Hipócrates, com doutores agiam mais por suposições e "sorte" do que pela ciência. Daí passei a ver que esse livro poderia, sim, ser lido durante outra pandemia e percebi que eu não encontraria outro melhor momento para ler este livro do que agora.
O começo desse livro é uma aula de história, assim como todo o livro em certa medida. Mas é no começo dele que percebemos como a medicina avançaria nos EUA por determinadas pessoas e como décadas depois ela teria seu grande teste. Durante o livro outros assuntos são tratados, como o que é o influenza e como o vírus age no organismo humano e, claro, sobre como o Influenza se iniciou pelos Estados Unidos e se espalhou pelo mundo durante a Grande Guerra, além de falar sobre o método científico e os progressos da medicina desde então. O também livro detalha como uma sociedade conviveu com a Primeira Guerra Mundial e uma pandemia simultaneamente, como os governos agem em momentos de propaganda, como o tecido social pode ser rasgado em tempos de crise, citando inclusive Camus: "...evil and crises do not make all men rise above themselves. Crises only make them discover themselves, and some discover a less inspiring humanity.
Outra coisa que eu notei nesse livro, e que o autor por fim comentou, é a quase inexistência de menções dessa pandemia na literatura mundial, em comparação a outros eventos daquele século: "Hemingway, Faulkner, Fitzgerald said next to nothing". Li Stoner, de John Williams, e não me lembro se lá menciona a Gripe, embora mencione a Primeira Guerra que aconteceu simultaneamente.
E por fim, entre outras coisas, John Barry menciona o SARS na China no começo do nosso século e que o governo teria mantido isso em segredo até não conseguir mais, e concluiu: "Possibly the Chinese government learned a lesson...; possibly they will be both open and agressive in the future whenever any indication of a new disease surfaces". Bem, hoje podemos analisar essa conclusão. O governo deles foi realmente agressivo com as medidas a serem tomadas no país deles, mas não foram abertos ao mundo desde o início e seguraram a notícia por alguns dias enquanto o COVID se espalhava pelo mundo, assim como os EUA e a Europa esconderam a pandemia de 1918 até onde conseguiram. A história se repetiu.