Uthred é um velho.
Bernard Cornwell merece uma salva de palmas por, até agora, ter conseguido descrever tão bem um personagem que em seis livros passou da infância à adolescencia, à juventude, à maturidade e está agora ingressando na meia-idade.
Isso que sempre se refletiu nos livros, a impulsividade e inquietação, agora deram pouco a pouco lugar a uma postura mais contemplativa, a um desdém pelo que antes teria feito o protagonista urrar e sacar a espada.
Esse desenvolvimento do personagem foi verdadeiramente interessante, infelizmente a história em si terminou tendo que sofrer um pouco para viabilizar a ideia. Número menor de batalhas e a morte de vários personagens secundários.
A ausência de Alfredo fez com que Uthred não tivesse um contraponto. O tempo todo parece que falta alguma coisa, o equilíbrio que o rei dava à destemperança do guerreiro. Da mesma forma, a falta de um grande amor.
Muitos leitores ainda não aceitaram a perda de Gisela, e infelizmente o autor não conseguiu tornar simpática a presença de Aethelfled como amor de Uthred em Terra em Chamas. Esse impasse foi corrigido com a nova postura de uma amiga-com-benefícios.
A edição brasileira, porém, é desencorajadora. A revisão do texto foi malfeita, e a capa, cuja arte sempre chamou atenção, é apenas um reposicionamento da capa do último volume. Bola fora pra editora.