Sou uma leitora perjura: quebrei meu juramento. Jurei não ler livro algum antes de concluir a leitura dos 7 volumes do Em Busca do Tempo Perdido. Mas é que eu estava correndo o risco de deixar de gostar de ler. Isto significa que não estou gostando da obra? Não é bem assim. É que o que mais ouvi falar sobre a obra ( além das madeleines, claro) foi o quanto a obra refletia a todos nós, seres humanos. Ora, francamente... que mundinho pantanoso o retratado por Marcel. Um mundinho repleto de pessoas dissimuladas, traidoras, inescrupulosas Morel, Albertine e outros mais, lá estão para não me desmentir. Além do mais, não consegui entender o relacionamento de Marcel e Albertine, um relacionamento em que, não só a jovem é a prisioneira, pois Marcel é tão controlador, tão ciumento, tão desconfiado (entendo que não sem motivos) que acaba refém dos seus sentimentos. E dá para não se entediar diante de um texto praticamente sem parágrafo?
Pois é: dá sim. Não é fácil, mas dá sim. Isto porque, apesar dos pesares, Proust se mostra genial. Por meio da aparente superficialidade ele revela personagens complexos com suas contradições e fraquezas e, por meio da sua escrita prolixa, descreve o indescritível.
Creio que cabe aqui uma colocação da minha filhota acerca do nosso relacionamento: - mãe, podemos discordar 99 % das vezes, mas no 1 % restante, você arrebenta, e me confunde. Então: em 99 % da leitura Marcel Proust, me fez acreditar que sua obra é maçante e que está longe de nos espelhar, seres mortais, entretanto no 1% restante , ele arrebentou, mas de forma alguma me confundiu . Muito pelo contrário, no 1 % restante ele me tirou do embotamento e me levou a um arrebatamento indescritível, assim como me fez reconsiderar minha opinião acerca da leitura.
Concluo meu comentário com a certeza de que a leitura do Em Busca do Tempo Perdido não é uma tarefa fácil, porém digna de atenção , e , em razão do 1 % restante: 5 estrelas.