A Prisioneira - Em busca do tempo perdido - vol. 5

    Marcel Proust

    Relógio D’Água
    2016
    360 páginas
    12h 0m
    ISBN-13: 9789896416584
    Português

    Em Busca do Tempo Perdido é um livro que tem, nas palavras do seu autor, «a forma do tempo». E, na verdade, o que distingue este romance é o reforço da sua concepção da memória como recriadora do passado. É isso que permite o misterioso encanto da narrativa e o tom de dolorosa nostalgia em que o passado envolve o presente. Mas o recurso à memória involuntária faz com que Proust nunca transmita uma realidade de que a sua imaginação esteja ausente. Ainda muito jovem, conhecia de cor todos os pormenores da vida das damas que tinham frequentado os salões de Paris desde o século xvii, como Madame La Sablière ou Madame de Staël. E foi precisamente a sensação da decepção em relação ao imaginado que ele sentiu nesses salões parisienses onde foi buscar muitos dos personagens que povoam o seu universo ficcional. É dessa desilusão, vivida nos salões de Madame Aubernon, Madame Arman de Caillavet ou da Condessa de Grefulhe, que nascem os personagens que frequentam os da senhora Verdurin e dos Guermantes de Em Busca do Tempo Perdido.

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    DIRCE PIRES DO NASCIMENTO NANNI picture
    DIRCE PIRES DO NASCIMENTO NANNI19/04/2016Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Uma questão de porcentagem que faz a diferença.

    Sou uma leitora perjura: quebrei meu juramento. Jurei não ler livro algum antes de concluir a leitura dos 7 volumes do Em Busca do Tempo Perdido. Mas é que eu estava correndo o risco de deixar de gostar de ler. Isto significa que não estou gostando da obra? Não é bem assim. É que o que mais ouvi falar sobre a obra ( além das madeleines, claro) foi o quanto a obra refletia a todos nós, seres humanos. Ora, francamente... que mundinho pantanoso o retratado por Marcel. Um mundinho repleto de pessoas dissimuladas, traidoras, inescrupulosas Morel, Albertine e outros mais, lá estão para não me desmentir. Além do mais, não consegui entender o relacionamento de Marcel e Albertine, um relacionamento em que, não só a jovem é a prisioneira, pois Marcel é tão controlador, tão ciumento, tão desconfiado (entendo que não sem motivos) que acaba refém dos seus sentimentos. E dá para não se entediar diante de um texto praticamente sem parágrafo? Pois é: dá sim. Não é fácil, mas dá sim. Isto porque, apesar dos pesares, Proust se mostra genial. Por meio da aparente superficialidade ele revela personagens complexos com suas contradições e fraquezas e, por meio da sua escrita prolixa, descreve o indescritível. Creio que cabe aqui uma colocação da minha filhota acerca do nosso relacionamento: - mãe, podemos discordar 99 % das vezes, mas no 1 % restante, você arrebenta, e me confunde. Então: em 99 % da leitura Marcel Proust, me fez acreditar que sua obra é maçante e que está longe de nos espelhar, seres mortais, entretanto no 1% restante , ele arrebentou, mas de forma alguma me confundiu . Muito pelo contrário, no 1 % restante ele me tirou do embotamento e me levou a um arrebatamento indescritível, assim como me fez reconsiderar minha opinião acerca da leitura. Concluo meu comentário com a certeza de que a leitura do Em Busca do Tempo Perdido não é uma tarefa fácil, porém digna de atenção , e , em razão do 1 % restante: 5 estrelas.

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