Gregório de Matos (vulgo, Boca do Inferno) é sempre lembrados nas aulas de literatura e em questões de vestibulares. Por isso, duvido que alguém não tenha em algum momento se deparado com algum dos poemas do autor. Tanto é assim que, dentre os livros publicados pela editora Principis esse é o que apresenta o maior número de questões de prova comentadas.
A propósito dessas questões, é interessante destacar que alguns poemas do autor e outros atribuídos à ele são colocados como um extra. Por isso, quando encerrada a leitura regular, o leitor avançando pelo complemento de leitura pode conhecer outros textos e a celeuma que orbita sobre a autoria de determinados poemas.
Outrossim, merece destaque o fato dos poemas terem sido reunidos e publicados no século XIX, muito tempo depois do falecimento do autor.
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A BAHIA
Tristes sucessos, casos lastimosos,
Desgraças nunca vistas, nem faladas.
São, ó Bahia, vésperas choradas
De outros que estão por vir estranhos
Sentimo-nos confusos e teimosos
Pois não damos remédios as já passadas,
Nem prevemos tampouco as esperadas
Como que estamos delas desejosos.
Levou-me o dinheiro, a má fortuna,
Ficamos sem tostão, real nem branca,
macutas, correão, nevelão, molhos:
Ninguém vê, ninguém fala, nem impugna,
E é que quem o dinheiro nos arranca,
Nos arrancam as mãos, a língua, os olhos.