A escrita do livro é muito fluida e as temáticas exploradas são pertinentes como, os desafios da maternidade, a ascensão profissional da mulher, a exploração da sexualidade feminina, as dificuldades do casamento, desigualdade social e o elitismo da classe média brasileira. A questão da maternidade para mim foi tocante, pois destaca como a sociedade molda as mulheres para esse papel desde o nascimento. A autora transmite empatia e sororidade ao explorar a diversidade de desejos das mulheres, seja o anseio pela maternidade (Maju) ou o desejo de alcançar o sucesso profissional (Fernanda).
A complexidade desse tema é evidente, e a narrativa não julga, mas sim convida à compreensão das diferentes perspectivas femininas na sociedade. A escritora destaca como a desigualdade pode privar muitas mulheres da oportunidade de terem filhos, enquanto outras, devido às circunstâncias sociais, são forçadas a cuidar dos filhos de outras famílias em detrimento dos seus próprios, por questão de sobrevivência.
A personagem Maju é a típica babá de classe média, que ilustra como o elitismo permeia as relações de trabalho. A expressão "exército branco", criada pela Fernanda, mostra como as pessoas são categorizadas e lembradas de seu lugar na hierarquia social. A "Suíte Tóquio" é o quartinho de empregada, aquela senzala anexada, mas essa como uma versão mais moderna. Outro ponto intrigante no enredo é a trama envolvendo Fernanda, Yara e o desenvolvimento na indígena. Esta parte do livro, embora complexa, acrescenta uma camada significativa à narrativa, especialmente ao abordar uma das culturas do Brasil.
Apesar da importância dos temas abordados, a brevidade do livro deixou alguns pontos vagos. É compreensível que a autora tenha optado por oferecer uma visão abrangente, deixando espaço para que os leitores reflitam sobre as questões apresentadas, mas algumas questões mereciam mais desenvolvimento. Embora não seja minha leitura favorita, recomendo a experiência da leitura.