Do sentimento trágico da vida (Tópicos) -

    Miguel de Unamuno

    Martins Fontes
    2019
    344 páginas
    11h 28m
    ISBN-13: 9788580633788
    Português Brasileiro

    Costuma-se dizer -- assinala Fernando Savater no prólogo desta edição -- que os escritores mais notáveis de uma época, aqueles que durante a sua vida atingiram contemporâneos, passam, ao morrer, por um purgatório, instalam-se para sempre na glória dos eleitos, no limbo dos estudados, no rodapé dos manuais ou no inferno do puro e simples esquecimento. Sem dúvida, a Miguel de Unamuno (1864-1936) -- ensaísta, poeta, dramaturgo, novelista e "escritor total" -- coube a glória, mas não feita de admiração sem mácula e reconhecimento pleno; sua glória é litigiosa, pugnaz, pródiga em ironia e escândalo, em dúvidas e reconversões. Publicado em 1913, Do sentimento trágico da vida nos homens e nos povos é a obra em que a inconfundível voz unaminiana ressoa, talvez mais intensa e profundamente; se os gostos de épocas anteriores dificultam "uma leitura calibradamente poética desta peça irritante de reflexão sem medida", os anos transcorridos permitirão uma aproximação mais íntima a essa mensagem de "narcisismo transcendental" desagregado em ânsia de imortalidade e ímpeto.

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    Kaique Nunes25/03/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Apontado como um dos precursores do existencialismo (fortemente influenciado por kierkegaard), Unamuno começa seu livro com uma crítica às abstrações da filosofia; é preciso voltar ao "homem de carne e osso, que nasce, sofre e morre", o homem que é antes um ser de sentimento, de afeto, do que o "ser racional" dos filósofos. É uma sinuosa viagem pelas mais fundamentais angústias do Homem. Na origem de todo conhecimento está a vontade de viver, o instinto de conservação. Não conhecemos as coisas apenas pelo prazer de conhecê-las, mas sim porque o conhecimento é necessário à vida. Este desejo de imortalidade, imortalidade pessoal, do corpo e da alma, é o que nos move. Sabemos, entretanto, que vamos morrer. A Razão frustra o anseio de imortalidade que temos. Unamuno repete: "A Razão é inimiga da vida". E continua com entusiasmo: "A inteligência tende à morte... a mente busca o morto, pois o vivo lhe escapa... É um trágico combate, é o fundo da tragédia, o combate da vida contra a razão". Cada uma das suas páginas está impregnada pela dor concreta de uma consciência sem paz, dividida entre a ânsia do absoluto e a evidência da morte. É precisamente esta tensão que provoca a famosa afirmação de Unamuno: “E se é o nada que nos está reservado, façamos com que isso seja uma injustiça”.

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