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    Do sentimento trágico da vida -

    Miguel de Unamuno

    Hedra
    2013
    276 páginas
    9h 12m
    ISBN-13: 9788577152360
    Português Brasileiro
    4.3
    23 avaliações
    Leram51Lendo27Querem271Relendo2Abandonos6Resenhas3
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    Do sentimento trágico da vida é uma sinuosa viagem pelas mais fundamentais angústias do Homem - não o abstrato, o espírito metafísico, mas o Homem de carne e osso, "que nasce, sofre e morre", e tem de lidar com a consciência de seu fim. Abordando de Santo Agostinho a Nietzsche, Unamuno toma liberdades de poeta para elaborar um pensamento sem perfeição lógica ou sistêmica, mas intencionalmente contraditório. São reflexões de um ser dividido entre o que vive - a Fé, a crença na eternidade -, e o que pensa - a Razão, que tudo destrói -, sem que um passe sem o outro: é o "sentimento trágico", grande dilema da humanidade. Assim Unamuno acessa toda a falta de sentido moderna, fatal ao nosso mundo e principalmente à Espanha do começo do século XX - arrasada pelas guerras e golpes que culminariam no fascismo de Franco, e melancólica com a insignificância do seu presente, comparada à glória dos tempos da Monarquia

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    Kaique Nunes picture
    Kaique Nunes25/03/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Apontado como um dos precursores do existencialismo (fortemente influenciado por kierkegaard), Unamuno começa seu livro com uma crítica às abstrações da filosofia; é preciso voltar ao "homem de carne e osso, que nasce, sofre e morre", o homem que é antes um ser de sentimento, de afeto, do que o "ser racional" dos filósofos. É uma sinuosa viagem pelas mais fundamentais angústias do Homem. Na origem de todo conhecimento está a vontade de viver, o instinto de conservação. Não conhecemos as coisas apenas pelo prazer de conhecê-las, mas sim porque o conhecimento é necessário à vida. Este desejo de imortalidade, imortalidade pessoal, do corpo e da alma, é o que nos move. Sabemos, entretanto, que vamos morrer. A Razão frustra o anseio de imortalidade que temos. Unamuno repete: "A Razão é inimiga da vida". E continua com entusiasmo: "A inteligência tende à morte... a mente busca o morto, pois o vivo lhe escapa... É um trágico combate, é o fundo da tragédia, o combate da vida contra a razão". Cada uma das suas páginas está impregnada pela dor concreta de uma consciência sem paz, dividida entre a ânsia do absoluto e a evidência da morte. É precisamente esta tensão que provoca a famosa afirmação de Unamuno: “E se é o nada que nos está reservado, façamos com que isso seja uma injustiça”.

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