Diário de quarentena - 90 dias em fragmentos evocativos

    Frei Betto

    Rocco
    2020
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-13: 9786555320480
    Português Brasileiro

    Diário de quarentena, de Frei Betto, focaliza os três primeiros meses da pandemia do coronavírus de 2020, e já surge predestinado a se transformar em uma obra de referência duradoura, como o Diário da peste de Londres, de Daniel Defoe, publicado em 1722 e ainda em catálogo nos dias de hoje. O livro de Frei Betto, assim como o de Defoe, não se prende apenas às respectivas tragédias, a epidemia de peste bubônica que matou 70 mil pessoas em Londres em 1665, e a pandemia que causou muito mais vítimas aqui no Brasil. Ambas as obras estabelecem uma rica reflexão acerca da condição humana e mesclam o drama pessoal à tragédia coletiva para tentar responder a perene indagação: “Quem somos nós, de onde viemos, para onde vamos?” A peste londrina do século XVII e a pandemia do novo milênio reafirmam o mesmo triste paradoxo: nada mais prejudicial à vida humana e à preservação de nosso planeta do que a própria humanidade... Acontecimentos funestos na esfera pessoal (acidentes, doenças graves, desemprego e divórcio) proporcionam excelentes oportunidades para que uma pessoa possa se “reinventar”, a palavra-chave da época atual. Do mesmo modo, tragédias coletivas (terremotos, tsunamis, genocídios e demais conflitos armados, exílio, secas prolongadas e, agora, a pandemia) podem proporcionar ótimas oportunidades à humanidade para fazer uma correção de rota para que a justiça e a felicidade reinem sobre a Terra. Essa é a bela e urgente mensagem deste Diário de quarentena de Frei Betto.

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    Dênis Wellinton Viana12/05/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    90 iniciais: quando serão os finais?

    Os fragmentos evocativos trazidos por Frei Betto em seus primeiros 90 dias de confinamento levaram-me a pensar sobre como o cenário que já era difícil tem se tornado ainda mais catastrófico. Em seu 80 dia de confinamento, 6 de junho de 2020, o número de mortos dia no Brasil era de 1473. Hoje, 12 de maio de 2021, quando escrevo essa resenha, passamos de 3000 mortes dia e chegamos a mais 410 mil mortos no país. Queria muito estar começando meu diário dos último 90 dias desse terror e sonhando com o dia 91, em que todos voltaríamos a conviver, a usar o tato e a largar as máscaras. Utopia?

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