Contra o Mundo Moderno (Trotzdem #2) - O Tradicionalismo e a história intelectual secreta do século XX

    Mark Sedgwick

    Âyiné
    2020
    640 páginas
    21h 20m
    ISBN-13: 9786586683431
    Português Brasileiro

    A primeira história do Tradicionalismo, um importante, porém surpreendentemente pouco conhecido, movimento anti-modernista do século XX. Abarcando uma série de grupos religiosos frequentemente secretos, mas por vezes muito influentes no Ocidente e no mundo Islâmico, o Tradicionalismo afetou tanto a política convencional como a revolucionária na Europa e o desenvolvimento do campo de estudos religiosos nos Estados Unidos. No século XIX, numa época onde os intelectuais progressistas haviam perdido a fé na capacidade do Cristianismo em estabelecer verdades religiosas e espirituais, o Ocidente descobria escritos religiosos para além de suas fronteiras. Neste solo cresceu o Tradicionalismo, emergindo do meio ocultista na França do final do século XIX, e alimentado pela generalizada perda da fé no progresso que se seguiu na esteira da Primeira Guerra Mundial. Trabalhando primeiro em Paris e depois no Cairo, o escritor francês René Guénon rejeitava a modernidade como uma idade das trevas, e buscou reconstruir a Filosofia Perene - as verdades religiosas centrais por trás das maiorias religiões mundiais - em grande parte calcada em suas leituras de textos religiosos hindus. Inúmeros intelectuais desencantados responderam ao chamado de Guénon com tentativas de colocar a teoria em prática. Alguns tentaram, sem sucesso, guiar o fascismo e o nazismo à luz de linhas tradicionalistas; outros mais tarde fizeram parte de grupos terroristas na Itália. O tradicionalismo, por fim, emprestou o cimento ideológico para a aliança de forças antidemocráticas na Rússia pós-soviética, e no final do século XX se inseriu no debate no mundo islâmico a respeito do que seria o melhor relacionamento entre o Islã e a modernidade.

    Edições (1)

    Ver mais
    • book cover

    Similares (2)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (2)Ver mais
    Allan Regis picture
    Allan Regis03/02/2021Resenhou um livro
    0

    Prolegômenos para um debate urgente

    Against the Modern World, de Mark Sedgwick, é uma narrativa sóbria e cuidadosa do Tradicionalismo (com T maiúsculo): uma corrente filosófica, religiosa e política que esteve no porão de muitos momentos políticos importantes do século XX e que promete ter em nosso século importância igual ou superior. Pode ser lido, também, como uma biografia de René Guénon, fundador do movimento. Se em seu lançamento, em 2004, a obra desbravava um campo de estudos bastante inóspito até então, além de ter assegurado seu lugar de estudo de base para pesquisas posteriores no assunto, hoje é ainda mais pertinente pela ascensão dos populismos de direita e da relação destes com pensadores como Steve Bannon, Olavo de Carvalho e Aleksandr Dugin - o último sendo analisado neste livro no contexto do neo-eurasianismo russo. A recepção de Against the Modern World pelo moderno mundo dos periódicos acadêmicos foi bastante positiva. Jeff Bloodworth a descreve como "parte de história de detetive, parte filosofia e parte história internacional.. [...] Este é um livro importante em um tema que tem sido negligenciado quase como um todo por pesquisadores". Colin Beech, por sua vez, "como um tratamento histórico de um movimento intelectual [...] Sedgwick faz um trabalho competente situando essa refutação despercebida da modernidade". Entre as críticas negativas destaca-se à densidade e ao estilo picotado da narrativa, cujas partes podem ser lidas separadamente sem prejuízo à compreensão geral. Infortúnio facilmente contornável pela paciência e masoquismo do leit.. quer dizer, pelo estímulo do leitor por empolgante temática. Outra crítica é que o livro não discute, em si mesmas, as premissas e implicações das ideias tradicionalistas. Mas, de fato, o antídoto para as expectativas do leitor para essas direções estão dadas na introdução, em que Sedgwick define o livro como um trabalho de história, e não de filosofia nem sociologia. Como complemento e avanço de leituras, devemos voltar nossos olhos para a também recém traduzida obra sobre tradicionalismo, War for Eternity, de Benjamin R. Teitelbaum.

    6 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.6 / 6
    • 5 estrelas17%
    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas50%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%