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    Meu corpo minha casa -

    Rupi Kaur

    Editora Planeta
    2020
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-13: 9786555351996
    Português Brasileiro
    4.1
    11668 avaliações
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    A terceira coletânea de poesias de Rupi Kaur, maior fenômeno da poesia mundial nos últimos anos Um dos temas mais frequentes na obra de Rupi Kaur é a importância que há em crescer e estar sempre em movimento. Em Meu corpo minha casa, ela leva leitoras e leitores a uma jornada de reflexão através da intimidade e dos sentimentos mais fortes, visitando o passado, o presente e o potencial que existe em nós. Os poemas dessa coletânea, ilustrada pela autora, inspiram uma conversa interna em cada um, lembrando que precisamos nos preencher de amor, de aceitação e de confiança em nossas relações familiares e de comunidade. E, sempre precisamos estar de braços abertos para as mudanças em nossas vidas. Mergulho na nascente do meu corpo e chego a outro mundo eu tenho tudo o que preciso aqui dentro não há motivo para procurar em outro lugar – meu corpo minha casa

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    Alane Sthefany picture
    Alane Sthefany25/05/2022Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    Meu Corpo Minha Casa – Rupi Kaur

    Se você aceitasse que a perfeição é inatingível, de que insegurança você abriria mão ? Parece que eu estou vendo minha vida acontecer através de uma tela de TV com chuvisco. Eu me sinto tão distante deste mundo. Quase estrangeira neste corpo. Como se tivessem esvaziado todas as lembranças felizes do interior da minha mente. Fecho os olhos e já não me lembro mais de como é fi car feliz. O peso no peito vai parar dentro da barriga porque sei que preciso levantar de manhã e fingir que não voltei a desaparecer pouco a pouco. Eu quero esticar o braço e encostar nas coisas. Quero sentir quando as coisas encostam em mim. Eu quero viver. Eu não sou minhas fases ruins, eu não sou o que me aconteceu - lembrete Já não tenho nenhuma lembrança de alguns anos que vivi, minha terapeuta fala que a mente apaga o trauma para nos ajudar a seguir em frente, mas todas as experiências que tive estão memorizadas em minha pele, mesmo quando a mente esquece, meu corpo lembra, meu corpo é o mapa de minha vida, meu corpo veste tudo o que viveu, meu corpo aciona o alarme quando sente o perigo chegar e de súbito os demoniozinhos do passado saem do meu corpo num salto e gritam não se esqueça da gente, nunca mais pense em tentar deixar a gente pra trás. Ou eu romantizo o passado ou perco tempo me preocupando com o futuro, não é à toa que eu não me sinto viva, eu não estou vivendo no único momento que existe - presente Ter ansiedade é como estar pendurada no topo de um prédio e saber que minha mão está prestes a escorregar Como eu sou capaz de ser tão cruel comigo mesmo, sabendo que faço o melhor que posso - seja gentil Eu não sou vítima da minha vida, as experiências a que sobrevivi, revelaram a guerreira que existe em mim Às vezes eu te amo, quer dizer eu quero te amar, às vezes eu te amo, quer dizer vou ficar um pouco mais, às vezes eu te amo, quer dizer não sei ir embora, às vezes eu te amo quer dizer não tenho aonde ir Se você for esperar que os outros te façam acreditar que você é o bastante, você vai ficar esperando E se eu já tiver cruzado com a pessoa certa numa esquina qualquer e se eu já tiver estado com a pessoa certa e estragado tudo ? Tenho medo de que minha melhor fase já tenha passado e que nada faça diferença daqui em diante Eu quero dar ao meu pai, uma vida inteira de paz, pela vida inteira que ele passou na estrada para nos dar de comer, eu quero que ele saiba o que é conforto, eu quero que ele veja que o que ele fez bastou Quando os colegas da escola perguntavam onde minha mãe trabalhava, eu mentia e dizia na fábrica que nem todas as outras mães, eu tinha vergonha de dizer que ela não tinha um “emprego de verdade”, ainda que ser mãe e dona de casa, significasse que ela passava o dia todo sendo cuidadora, motorista, chef de cozinha, secretária, professora, faxineira, melhor amiga de quatro filhos e que o que era “emprego de verdade” aos olhos do mundo, não chegava aos pés do que ela fazia - valor Eu fico tão distraída pensando no lugar aonde quero chegar, que esqueço que o lugar onde estou, já é muito especial Sinto saudade da época em que amigos e amigas sabiam dos detalhes mais banais da minha vida e eu sabia dos detalhes mais triviais da vida deles, a vida adulta me privou dessa certeza, desse eu e vocês, das voltas no quarteirão, das longas conversas em que perdíamos a noção da hora, quando a gente ganhava e comemorava, quando a gente perdia e comemorava mais ainda, quando éramos tão jovens, agora temos os nossos empregos muito importantes, que ocupam as nossas agendas lotadas, abrimos o calendário só para marcar um café que um de nós sempre acaba cancelando, porque chegar à vida adulta é passar a maior parte do tempo sem conseguir sair de casa de tanto cansaço, eu sinto saudade de saber que pertenço a um grupo que é maior que eu mesma, esse pertencimento tornava a vida mais fácil - saudade dos amigos Se você tentou e não chegou ao lugar que queria, não deixa de ser crescimento Se quer ser criativo, você precisa aprender a fazer coisas que não têm motivo, a arte não nasce do trabalho sem intervalo, antes de tudo, você tem que sair lá fora e viver - logo a arte vem Eu me tornei confiante quando decidi que me divertir era muito mais importante que meu medo de passar vergonha - dançando em público Estou despertando da noite mais longa da minha vida, não vejo o sol há anos - desperto Hoje me vi pela primeira vez, quando tirei a poeira do espelho da minha mente e a mulher que me encarou de volta, me tirou o fôlego, afinal quem era aquela criatura tão linda, aquela terráquea extraceleste, eu toquei meu rosto e meu reflexo, toquei a mulher dos meus sonhos, toda sua beleza me sorria nos olhos, meus joelhos se renderam à terra e eu chorei suspirando, pensando que eu tinha passado a vida inteira sendo eu, mas não me vendo, tinha passado décadas morando no meu corpo sem sair nem uma vez e mesmo assim tinha ignorado seus milagres, é curioso como somos capazes de ocupar um espaço sem estar em sintonia com ele, como eu pude demorar tanto para abrir os olhos dos meus olhos, aceitar o coração do meu coração, beijar os meus pés inchados e ouvi-los sussurrando, obrigado, obrigado, obrigado por nos ver Seu lugar não é no futuro, nem no passado - seu lugar é aqui

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    Rupi Kaur profile picture

    Rupi Kaur

    Rupi Kaur é uma escritora e artista que vive em Toronto, no Canadá. Aos 5 anos, ela começou a desenhar, um hobby que herdou de sua mãe. Imigrante da índia, ela não conseguia falar em inglês com outras crianças na escola, o que a fez passar bastante tempo sozinha. Quando aprendeu o idioma, encontrou nos livros os melhores amigos. ela desenhou até os 17 anos, em 2009, quando passou a se dedicar mais à escrita e às performances. Em novembro de 2014, publicou seu primeiro livro, milk and honey – editado no Brasil como outros jeitos de usar a boca. Hoje ela usa diferentes meios para se expressar: a poesia, a ilustração, o design, a fotografia, os vídeos. O que o sol faz com as flores é seu segundo livro.

    9 Livros
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    Punjab, Índia

    Rupi Kaur