Muriel Barbery, autora do best-seller A Elegância do Ouriço, acaba de lançar seu quinto romance no Brasil. Publicado pela Companhia das Letras, Uma Rosa Só gira ao redor de três temas – luto, perdão e recomeço – correlatos à história do Japão e à vida de de Rose, a protagonista.
Resumidamente, ela é uma botânica parisiense, de quarenta anos, que viaja a Kyoto para se inteirar do testamento do pai, o japonês Haru Ueno, um importante marchand que não conheceu. Entretanto, ao chegar à cidade, ela descobre que a leitura do documento é a última parte de um itinerário que deverá cumprir ao lado de Paul, o assistente de seu pai.
Um roteiro que inclui passeios por jardins, cemitérios, templos e casas de chá, além de alguns encontros com pessoas que conviveram com Haru. A finalidade não é só apresentá-la para um mundo novo, distinto de sua cultura e marcado por tradições, mas oferecer uma perspectiva de sua própria história que ela desconhece, capaz de cicatrizar feridas que vem reunindo desde a infância e para tanto, Rose precisa aceitar algo que jamais admitiu: sua capacidade de amar e ser amada.
A bem da verdade, uma trajetória que se distingue pela sensibilidade. Barbery “semeia beleza com palavras”, consegue capturar aromas, cores, sons e sabores mediante recorrentes descrições que encantam, mas ao longo do tempo podem tornar-se cansativas, inclusive, um obstáculo para a conclusão da leitura.
Por outro lado, como se estrutura a narrativa é o ponto alto de Uma Rosa Só. Narrados em terceira pessoa, cada um dos doze capítulos do livro é precedido por um breve conto aforístico, de tradição japonesa ou chinesa, que se relaciona com aquilo que a protagonista enfrentará a seguir, aliás, um estratagema que confere um certo exotismo à história.
Uma história que apresenta proximidade temática com o best-seller Comer, Rezar e Amar, de Elizabeth Gilbert, já que os dois romances abordam a superação de traumas do passado a partir de uma viagem de autodescobrimento. Porém, as semelhanças param por aí, as trajetórias de Rose e Elizabeth são distintas e recomendo conhecê-las.
Para finalizar, “yononaka wa mikka minu ma no sakura kana”, ou seja, o mundo é como uma cerejeira que não olhamos durante três dias. (Antigo Provérbio Japonês, página 138) 🌹