Asfalto selvagem - Engraçadinha, seus amores e seus pecados

    Nelson Rodrigues

    HarperCollins Brasil
    2021
    512 páginas
    17h 4m
    ISBN-13: 9786555111019
    Português Brasileiro

    Um dos mais importantes romances nacionais, Asfalto selvagem reúne numa só narrativa paixão, suspense, devoção religiosa, erotismo, incesto, tragédia, humor e um olhar implacável sobre as obsessões que nenhum de nós ousa confessar. Quase nada escapa da pena demolidora de Nelson Rodrigues: instituições, ideologias, desejos. Se parece audacioso no século XXI, o que se pode dizer sobre o impacto causado nos leitores do jornal Última Hora, em que foi publicado em forma de folhetim entre 1959 e 1960? Um escândalo. E um imenso sucesso. Eis a genialidade do autor: Nelson realiza a rara proeza de escrever um romance profundo e ao mesmo tempo popular. Obra irresistível para os leitores de então e para os atuais, Asfalto selvagem continua a descortinar as tensões mais subjacentes da moralidade urbana brasileira por meio de um texto deliciosamente perturbador e personagens inesquecíveis.

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    Clio04/03/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Toda vez que leio algo de Nelson Rodrigues, parece que estou tendo uma aula de como escrever pois a mensagem é tão obviamente clara que o livro parece grudar nas mãos e a leitura fica impossível de parar. Certa vez alguém me disse que o incesto é o último grande tabu das artes, e podemos ver isso no fato de algumas grandes obras retratam-no enquanto outras são igualmente criticadas. O Anjo Pornográfico sempre teve os dois acontecimentos ao mesmo tempo em sua carreira. Asfato Selvagem apresenta as relações familiares sendo construídas e destruídas por paixões incestuosas e repressão sexual. Bem à preferência de Rodrigues, a sedução voluntária ou não polvilha o texto. Não há nada explicíto, mas há cenas de violência e a exposição de toda corrupção envolvendo os anos 40, da sociedade à política. Os homens se debatem em duelos morais em que a lubricidade briga com a moral, esta muitas vezes perdendo e o resultado é uma canalhice. Os homens de Rodrigues são sempre canalhas. As mulhres por sua vez não são santas, nenhuma delas. Sua representação parece ser uma mistura de piedade com curiosidade em que fica clara a fascinação do autor por elas. Todas são sedentas de amor, sedutoras... não há distinção entre feias e belas, novas e velhas. Silene, a filha de Engraçadinha que é descrita como uma ninfeta, joga na cara do leitor que o desejo e a caça sexual acontecem cedo, ainda que a sociedade tente reprimir devido ao fato de que o amadurecimento de mente e corpo não acontecem ao mesmo tempo. Essa é uma das grandes maravilhas do texto, não há desculpas apresentadas e todas as ações têm consequências. Quanto ao estilo, a preferência do autor pelo teatro fica óbvia - são cenas dramáticas e frases de efeito que conseguem não cair no cliché. E na ânsia para desenvolver personagens e ação, o autor despudoramente faz um salto temporal avassalador, pois os detalhes do quotidiano não importam, é uma crônica da sexualidade sem ser da vida diária. Recomendo.

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