La Route -

    Cormac McCarthy

    Points
    2007
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-13: 9782757811610

    L’apocalypse a eu lieu. Le monde est dévasté, couvert de cendres et de cadavres. Parmi les survivants, un père et son fils errent sur une route, poussant un caddie rempli d’objets hétéroclites. Dans la pluie, la neige et le froid, ils avancent vers les côtes du Sud, la peur au ventre : des hordes de sauvages cannibales terrorisent ce qui reste de l’humanité. Survivront-ils à leur voyage ? Né en 1933 dans l’État de Rhode Island, Cormac McCarthy, auteur de nombreux romans plusieurs fois primés, est l’un des écrivains américains les plus importants de sa génération, il est notamment l’auteur de No country for old men, adapté au cinéma par les frères Coen. La plupart de ses livres sont disponibles en Points. « Ce roman vous étreint dans une émotion d’une intensité rarement atteinte dans la littérature. » Le Point

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    Régis Maz24/06/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A Estrada é angustiante e comovente

    A Estrada (The Road) é o décimo livro do laureado autor Cormac McCarthy e o último livro escrito antes de seu hiato de quase dez anos. Ele foi lançado em 2006 e em 2007 recebeu o Prêmio Pulitzer de Ficção, além de receber vários outros prêmios e ser finalista em outras indicações.  Ao abrir o livro vemos uma dedicatória de Cormac para seu filho: "Esse livro é dedicado a John Francis McCarthy." Pois foi durante uma viagem para El Paso, no Texas, em companhia de seu filho John, que ao olhar pela janela do hotel e visualizar as colinas, as planícies e a natureza em volta, ele se pergunta: como será tudo isso daqui a cinquenta ou cem anos no futuro? Como seria se tudo isso estivesse destruído pelo fogo e só restassem cinzas? Como eu faria para sobreviver ao lado do meu filho nesse cenário pós-apocalíptico? E então surgiu a ideia para escrever "A Estrada".  Esse é um livro que se passa em um universo pós-apocalíptico onde acompanhamos pai e filho nessa road story através do cenário de um mundo devastado pelas mudanças climáticas e completamente sem biosfera. Tentando seguir rumo ao sul para fugirem do inverno brutal que se aproxima, buscando encontrar no litoral um jeito melhor de sobreviver.  Durante a caminhada através da estrada, vemos o desenvolvimento do relacionamento de pai e filho em um clima de resiliência e superação. E somos envolvidos por um suspense tenso, com pitadas de horror, que me fez segurar o fôlego em alguns momentos enquanto temia o que seguiria.  Cormac é mestre em criar ambientação. Acompanhei isso em "Onde os Velhos não Têm Vez" e em "A Estrada" não foi diferente. Ele escreve cenas brutais, construindo um ambiente absolutamente atroz, com poucos diálogos, mas com uma descrição precisa de tudo que cerca os personagens, nos transportando de forma efetiva para esse cenário cinza, frio, inóspito e aterrador em que o mundo se transformou.  O livro de Cormac é uma dessas leituras que não deve ser feita ancorada apenas no racional. Esse é um livro para se envolver emocionalmente, para sentir e se colocar no lugar dos personagens. Para testar sua humanidade e empatia e refletir sobre: como você se comportaria se fosse colocado nessa estrada em meio a essa atmosfera completamente contaminada pelo medo, em um mundo totalmente aterrador e sem esperança, onde alguns fazem qualquer coisa para sobreviver, inclusive recorrer ao canibalismo.  O autor tece imagens que serão capazes de assombrar meus sonhos por muito tempo, inclusive as imagens de cabeças decepadas, enfiadas em estacas e dispostas diante de uma construção que me levaram de volta ao Congo Belga e a brutalidade e loucura de Kurtz em "O Coração das Trevas" de Joseph Conrad. E teve também uma cena envolvendo um bebê que é absolutamente perversa e cruel. Essa cena fez meu o estômago embrulhar, me causando ânsia de vômito.  A Estrada é tido por diversos críticos como o principal livro do gênero pós-apocalíptico e essa e outras histórias de Cormac McCarthy serviram de inspiração para muitas obras, incluindo filmes, games, livros, histórias em quadrinhos e graphic novels.  A escrita do autor possui uma certa agudez. McCarthy não faz uso do travessão em seus diálogos e usa a pontuação com muita austereza. Mas seu estilo de escrita com essa prosa escassa, combina perfeitamente com a forma direta como ele conta suas histórias e até ajuda a compor a atmosfera cinza, opaca e desesperadora da odisseia pós-apocalíptica que é "A Estrada".  Li esse livro em uma LC com o Filipe e foi uma leitura que gerou ótimas discussões. Entretanto, discordo de alguns pontos levantados por ele, principalmente sobre ideias que ele viu em um vídeo e compartilhou comigo e sobre o final do livro. Para mim o final foi o que deveria ser, nada mais, nada menos. Fiquei muito grata, Filipe, por ter me feito companhia nessa LC. O próximo livro do autor que pretendo conferir é "Meridiano de Sangue", que parece ser muito referenciado, assim como "Na Estrada". Recomendo muitíssimo esse livro para todos que gostam de histórias angustiantes e comoventes.

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