Em A Vergonha, Annie Ernaux parte de um episódio que representou uma ruptura na sua infância para realizar uma investigação seca sobre o passado e a memória: ao meio-dia de um domingo de junho de 1952, seu pai tentou matar sua mãe. A partir desse acontecimento, Ernaux reconstrói sua infância; o comércio dos pais, a vida marcada pela solidão, pela pobreza e pela escola; não com o objetivo de narrar uma história íntima, mas de compreender como a vergonha se instala como uma estrutura durável da experiência, atravessando a situação financeira da família, as relações entre os pais, as roupas, a linguagem e o próprio corpo.