O cinema brasileiro vive hoje uma retomada dos filmes de gênero. E isso diz respeito tanto à safra de pretensões mais industriais, como é o caso das comédias, quanto ao cinema autoral e também às produções que correm em raias alternativas do mercado. Trata-se, sem dúvida, de um fato novo, dada a convivência às vezes excludente do filme de gênero com o cinema de autor na tradição moderna da nossa cinematografia. Os gêneros, habitualmente associados à ideia de consumo massivo, tiveram na chanchada, nos filmes de cangaço e mais recentemente no favela movie florações capazes de ser identificadas como nacionais. Apesar da constante presença nas franjas do Cinema novo e na fachada da era Embrafilme, os gêneros clássicos, à exceção da comédia, raramente se estabeleceram por aqui a partir dos anos 1960. nas prateleiras das locadoras, o “cinema nacional” ainda constitui uma espécie de gênero em si, enquanto os demais se aplicam basicamente ao cinema anglófono. Esta edição da Filme Cultura propõe uma reflexão sobre o status do gênero entre nós. Dois realizadores afeitos a uma nova mentalidade, Felipe Bragança e Kleber Mendonça Filho, expõem seus argumentos a respeito do assunto. Especialistas tratam das nossas investidas no horror, na ficção científica, no western, no filme de ação, nas comédias e no drama religioso. Em outros artigos, a questão do gênero é examinada à luz do mercado e da nacionalidade. Cineastas com experiência na área, como José Mojica Marins, Alberto Cavalcanti e Alberto Salvá, são objetos de outras matérias. Ao pautar esse dossiê temático, mais que reiterar classificações e definir fronteiras, estivemos interessados em observar as hibridizações e os deslizamentos que os cineastas brasileiros frequentemente impõem aos limites dos gêneros. Até porque a dinâmica da produção cinematográfica mundial já determinou flutuações e misturas que tornam a definição de gênero hoje uma tarefa complexa. De outra parte, constata-se que a linguagem dos gêneros é mesmo dura de matar. Quando se pensava que o “monstro” estava definitivamente abatido pelo cinema autoral, ei-lo que surge emergindo de novo das águas e assombrando quem entra no cinema ou no youtube. o terror, o faroeste, a neochanchada, o policial e o musical, entre outros, retornam com força em encarnações diferentes, do filme de massa ao quitute experimental, passando pelo trash e pelas novas grifes autorais. Algo nos diz que, depois de uma longa hibernação, os gêneros estão no centro do cinema brasileiro contemporâneo.
Filme Cultura - O Cinema de Gênero Vive!
não informado
CTAv
2013
100 páginas
3h 20m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
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