Filme Cultura - Mulheres, Câmeras e Telas

    não informado

    CTAv
    2018
    132 páginas
    4h 24m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Os dados estão vindo à tona. A disparidade de gênero nas obras audiovisuais – na representação e na chefia das funções do fazer cinema – é imensa. Quando o recorte, além de gênero, é também de raça, os números são alarmantes. Em 2017, é hora de dedicar uma edição da revista Filme Cultura só à relação das mulheres com o audiovisual. A partir da temática Mulheres, Câmeras e Telas, abrimos, mais uma vez, uma chamada pública para artigos. Convidamos também outras e outros para se juntarem ao coro na reconstrução de uma história que, além de marginal, é constantemente apagada. Assim, torna-se necessário, inclusive, ressignificarmos a nossa memória para que, quando pensarmos em Méliès, o nome de Alice Guy apareça também; que quando a importância de Griffith for ressaltada, possamos debater sobre Lois Weber; ou que possamos ter mais material para entender o cinema de Dorothy Arzner sob a perspectiva feminista e queer. Nas nossas referências, é preciso entender se, de fato, o primeiro longa dirigido por uma mulher no Brasil foi apenas na década de 1930, com Cleo de Verberena. E, quando se falar de Humberto Mauro, é preciso recontar a história de Carmen Santos; e entender que, como Gilda de Abreu, mulheres também podem fazer blockbusters e não apenas filmes considerados de nichos. Pioneiras também foram as mulheres negras que conseguiram – enfrentando não apenas o machismo, mas também o racismo – fazer cinema no Brasil. Temos, assim, Adélia Sampaio, Cristina Amaral, Danddara e Sabrina Fidalgo, que nos fazem pensar um pouco dessa história em perspectivas tão fortes e pessoais. Mas a retomada dessas pioneiras – em artigos e peças de arquivo – é só um pedaço desta colcha de retalhos nada homogênea e muito menos consensual. Convidamos todas e todos para pensarmos juntos também sobre a representação da mulher em filmes brasileiros, aplicando, inclusive, testes de representatividade; o cinema contemporâneo nacional e suas possibilidades de subversão no audiovisual independente; a violência contra a mulher e as formas de representá-la sem seguir os mesmos preceitos – nefastos – das grandes mídias; e até a possibilidade de desconstrução de uma base narrativa tão seguida e idolatrada, mas que não contempla a trajetória das mulheres. Estas mais de cem páginas ainda dizem muito pouco sobre o que é preciso ser dito, recontado, reconstruído. Mas demos um passo. Sempre. Acreditando na construção de narrativas colaborativas, trouxemos impressões, teorias e sentimentos, sem hierarquias. Expomos indícios – e não conclusões – sobre cinemas de mulheres. No plural.

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    Miguel Deitos01/03/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Nacionalizando a questão do gênero cinematográfico

    Esta edição traz diversos textos que abordam a questão do gênero cinematográfico no cinema brasileiro. Problematiza muito bem a definição de "gênero" e a etiqueta de linguagem enquanto método de penetração mercadológica. Põe em cheque a questão do "cinema nacional" muitas vezes taxado de gênero. Traça os antecedentes de várias vertentes genéricas nacionais, como o "terrir" e o "nordestern", além de debater porque certos gêneros como a ação e ficção científica acabam perdendo espaço perante a dominação da comédia. Ao final tem uma entrevista com o "Zé do Caixão".

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