Sempre me surpreendo com a criatividade dos escritores na construção de mundos pós apocalípticos. Conheci “Silo” através da série da Apple TV, que com seus episódios longos e envolventes, despertou minha curiosidade sobre a obra original. Decidi então mergulhar no livro, que é muito mais profundo e distópico do que a série revela. A versão em inglês que li é composta por quatro volumes, totalizando 1716 páginas.
O primeiro volume, "Wool", é apenas parcialmente abordado pela série. A narrativa de Howey é tão cativante que você nem percebe o tamanho do livro. A história se passa em um gigantesco silo subterrâneo onde os sobreviventes de um desastre que tornou o exterior inabitável vivem. A discussão sobre o tabu de falar sobre o exterior e a pena de morte para os infratores adiciona profundidade ao enredo. O conflito central é entre uma jovem determinada a desvendar os
segredos do silo e um oficial que prefere manter o status quo, levantando questões complexas sobre segurança e verdade.
O livro começa com um tom sombrio e quase vintage, mas evolui para explorar política e estrutura de classes, adicionando ação ao longo da trama. A protagonista, Juliette, só assume o papel principal a partir da terceira parte, mas rapidamente se torna o coração da história, com suas qualidades de racionalidade e coragem.
O mundo do silo é fascinante, com suas divisões de classe e a imagem do interminável espiral de escadas. A manipulação e controle da população são explorados de forma interessante, e o livro mantém uma pegada clássica de ficção científica. Apesar de achar a aceitação rápida da manipulação e a falta de episódios de agorafobia um pouco forçadas, essas questões são superadas pela narrativa envolvente. O livro é extremamente sofisticado em suas passagens éticas e filosóficas. E a melhor parte é que, ao chegar ao final, você tem a satisfação de saber que há um segundo volume para continuar a jornada.