O nariz -

    Nikolai Gógol

    Antofágica
    2021
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9786586490268
    Português Brasileiro

    E se, um belo dia ao acordar, você não encontrasse mais o seu nariz? Respire fundo antes de entrar nesta história, Gógol está prestes a deixá-lo sem ar. Ilustrado por Nicholas Steinmetz, com apresentação de Tamy Ghannam, este conto é explorado de forma mais profunda nas videoaulas de Raquel Toledo. Em uma manhã como qualquer outra, um barbeiro, conhecido pela quantidade de sangue que faz jorrar do rosto de sua clientela, toma seu café da manhã. Ao afundar a faca sobre um pão recém-assado, encontra um ingrediente que não estava na receita: um nariz. Do outro lado da cidade, seu cliente, o assessor colegial Kovaliov, acorda e dá de cara com uma panqueca. Não em seu prato, infelizmente -- trata-se de seu próprio rosto no espelho, liso como uma massa corrida, carente de qualquer resquício de um nariz. Publicado em 1836, este conto reúne o que há de mais marcante na escrita de Nikolai Gógol: a comédia, a cultura popular, a sátira política e a crítica à burocracia. A insólita história de um duplo, permeada pelo fantástico, absurdo e pelo grotesco, tem como cenário a fria e burocrática cidade de São Petersburgo. A nova edição da Antofágica ganhou notas e nova tradução direta do russo por Lucas Simone, doutor em Literatura e Cultura Russa (USP), e ilustrações de Nicholas Steinmetz. Os posfácios são assinados por Raquel Toledo, mestre em Literatura e Cultura Russa (USP), Inti Queiroz, doutoranda em Filologia e Língua Portuguesa (USP).

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    Alane Sthefany picture
    Alane Sthefany26/09/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O Nariz - Nikolai Gógol

    Achei a leitura muito divertida, e bastante engraçada. Principalmente a forma que o autor narra e descreve os fatos, com a maior naturalidade do mundo, como se o que fosse descrito não se enquadrasse em um total absurdo. Ao longo da leitura, você nem percebe que o que está acontecendo é de certa forma "anormal", devido a forma que a história é narrada de um jeito cômico e um tanto trágico, no entanto, em alguns momentos da narrativa, chega a ser hilário quando acontece algo MUITO inusitado, são nesses momentos que nos damos conta do absurdo do que está acontecendo durante toda a narrativa, e nesses momentos é que realmente o livro nos tira boas risadas, justamente pelo absurdo que é, que nos parece um tanto irreal os fatos descritos, e que no final, nem mesmo o narrador (não confiável e que não se atém a tudo o que aconteceu - não é um narrador que sabe todos os fatos e partes da história que nos é apresentada) entende e chega até mesmo a nos interrogar se de fato toda essa narrativa verdadeiramente aconteceu. No entanto, "incidentes semelhantes acontecem no mundo; é raro, mas acontecem." Achei muito interessante a forma que o autor fez sua crítica nessa obra, através de um enredo cheio de ironias, sátiras e fatos hilários. Subvertendo de forma metonímica a ideia de um ser que se torna dois — essa duplicidade se dá entre um homem e uma parte de um homem, o seu nariz. Em que a parte torna-se mais importante que o todo. Gógol não apenas destrona o protagonista do conto ao ridicularizar sua situação “sem nariz” mas também carnavaliza uma situação grotesca, desesperadora e trágica do personagem. Quando descreve que o nariz estava em maior e mais elevado cargo hierárquico do que o próprio personagem Kovaliov, Gógol está criticando e mostrando quão ridículo era isso na época, apenas devido aos cargos públicos, que aliás, o nariz na tabela de patentes do serviço público da Rússia imperial, era um cargo de quinto nível, portanto três níveis acima da patente do próprio Kovaliov. As notas de rodapé nessa edição da Antofágica, é de fundamental importância para a compreensão da obra. Foi o meu primeiro contato com o escritor russo Nikolai Gógol, e gostei bastante, por mais absurda que foi a leitura. ✍🏻📚❤️ "No mundo não há nada que dure muito, e, por isso, até mesmo a alegria, logo no minuto seguinte, já não é mais tão vívida; no terceiro minuto, ela se torna ainda mais fraca e, por fim, dilui-se, de maneira imperceptível, num estado de espírito comum, como um círculo na água, gerado pela queda de uma pedrinha, que finalmente se dissolve na superfície plana."

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