Guia politicamente incorreto da história do mundo: 2 -

    Leandro Narloch

    Globo Livros
    2020
    320 páginas
    10h 40m
    ISBN-10: 8525067164
    Português Brasileiro

    Continuação da temática do Brasil, só que agora sobre o mundo. Temas polêmicos como: cintos de castidade na idade Média? Eles nunca existiram – pelo contrário, manuais de medicina da época diziam que o prazer sexual era essencial à saúde das mulheres. Milhares de crianças foram exploradas nas fábricas inglesas do século 19? Está certo, mas é interessante lembrar que a revolução industrial, pela primeira vez, tornou o trabalho infantil desnecessário. E lembra aquela história de que as guerras e a miséria na África são consequência das fronteiras artificiais criadas pelos europeus? Há quase 30 anos historiadores e economistas africanos deixaram de acreditar nela abaixo da superfície, a história não é tão simples quanto aquele professor militante costumava nos ensinar

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    Fabricio Alves08/01/2014Resenhou um livro
    1 (Ruim)

    Uma piada sem graça

    Para ser sincero, comecei a ler este livro que ganhei de presente com muito interesse, pois o tema parecia dos mais interessantes, e caso fosse baseado em fatos sólidas, seria perfeito. Porém, passando alguns capítulos comecei a ficar chocado com tamanha baboseira. As pessoas que possuem um mínimo de instrução, gostam e conhecem o mínimo de história e estão cientes dos problemas e das diferenças políticas do mundo, sabem muito bem que dá para facilmente distorcer a história a partír de fontes das mais diversas, sejam estas de livros, pessoas, citações, pesquisas, etc. E que o mesmo material muitas vezes pode ser interpretado de duas formas, ambas opostas. Eu, por exemplo, mesmo sabendo que não é verdade e que estaria enganando meu leitor, poderia muito bem citar diversas fontes que dizem que OVNIS pousaram na cidade de Varginha. Ou então, provar por A+"B" que o homem não pousou na lua, que o holocausto não existiu ou mesmo dizer que existem monstros gigantes vivendo no fundo dos nossos oceanos. E isso vale para tudo. No caso deste livro, infelizmente o que se percebe é que o objetivo foi colocar o leitor no mundo histórico fantasioso da extrema direita. De acordo com o livro, foram as indústrias - e a revolução industrial -, que com toda a sua exploração do trabalho das massas que livrou o homem do trabalho infantil. Isso é realmente um absurdo para se falar, pois até hoje infelizmente temos trabalho infantil em todo o mundo, justamente para manter o lucro no bolso dos grandes empresários. Não precisa ser muito inteligente para ver isso. Também de acordo com o livro, foi o consumo desenfreado e empresas como o McDonald's que levaram o mundo à paz! E olha que ele dedica um capítulo inteiro para criticar os monges budistas e o Dalai Lama, além de simplesmente detonar aqueles que desejaram um mundo um pouco mais humano, mais culto, menos consumista, como aqueles que fizeram a revolução francesa. Veja só o que ele fala sobre os intelectuais: "Se é verdade que o capitalismo fez luxuosidades chegarem ao dia a dia dos pobres, tornou o trabalho infantil desnecessário e transformou a fome em problema de abundância, ele também gerou consequências menos satisfatórias. Uma delas foi a proliferação dos intelectuais. Ao libertar as pessoas do trabalho do campo e dar força a indústrias de entretenimento, a Revolução Industrial multiplicou o número de indivíduos que poderiam se dar ao luxo de passar a vida em bibliotecas e escolas discutindo ideias - e reclamando (que grande ironia) dos terríveis efei-tos do capitalismo." Se você ainda acha que é exagero o que estou comentando, dê uma olhada abaixo em mais alguns trechos que selecionei do dito livro: - "Luxo e ostentação melhoram o mundo" - "McDonald's, a franquia da paz". - "Quando pensamos em defensores da paz mundial, lembramos de lideres religiosos como o Dalai Lama ou o papa, protetores dos oprimidos como Madre Teresa ou senhoras do terceiro mundo com roupas coloridas, lenços na cabeça e olhares cheios de esperança. Alguns desses guardiões da virtude deram sua contribuição para evitar crimes e guerras, mas os heróis da paz de maior resultado foram outros. Se hoje vivemos na época mais pacífica de todas, com a menor frequência de guerras e assassinatos da história do mundo, é melhor agradecer a alguns cientistas nucleares e, principalmente, ao dono da padaria da esquina, o proprietário da franquia do McDonald's e os homens de paletó que operam o comércio exterior. Foram eles, os comerciantes, que mais levaram o mundo em direção à paz nos últimos séculos." - "A bomba de Hiroshima salvou milhões de japoneses". - "Hitler, um socialista". - "Quem destruiu a África foram os líderes africanos" - "Eles preferiram o aparthaid" - "Em defesa do Gandhi canastrão" - "Muitos samurais eram bêbados fofoqueiros". Enfim, você tem duas formas de ler este livro, a primeira é tentando levar ele a sério e com isso passar raiva, ou a segunda opção, aquela que eu escolhi, que é de levar tudo como uma bela piada. Ou melhor, pra você que ainda não leu, escolha um outro livro e aproveite melhor o seu tempo. Infelizmente eu perdi o meu.

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