«Eça de Queirós es superior, incluso, a mi amado maestro Flaubert». ÉMILE ZOLA>br>Los cuentos aquí reunidos, que incluyen muchos hasta ahora incompletos o dispersos en distintas publicaciones, son una prueba más que evidente de la versatilidad temática de su autor, dotado de un estilo único y de un universo narrativo plural que, en palabras de João de Melo, han hecho que «el nombre de Eça de Queirós no sea tan solo garantía de un talento que lo convirtió en el más grande escritor portugués de todos los tiempos, sino de algo todavía más infrecuente: de un creador por excelencia, de un demiurgo satánico y divino. Y de un genio»
Cuentos completos de Eça de Queirós -
Eça de Queirós
José Matias
José Matias Conta-se que Machado de Assis (1839-1908) invejou e admirou apenas um seu contemporâneo - Eça de Queiroz (1845-1900), em especial um conto escrito pelo português intitulado 'José Matias' (1897). Trata-se da estória de um homem apaixonado por uma mulher chamada Elisa; ele era tão apaixonado por ela que passou a vida apenas a admirá-la, mesmo tendo oportunidades de namorá-la e até casar-se com ela. Passou anos a segui-la, a avistá-la de longe, a contemplá-la, como um jardineiro faz com uma flor ou um visitante a contemplar obras num museu, até que um dia a morte chega (não direi de quem). Muitos veem neste conto uma releitura do amor cortês da época medieval, porém Eça de Queiroz, realista que era e filho de toda uma geração marcada pelo livro 'Madame Bovary' (1856), é mais sarcástico e diz que José Matias era doente - sofria de hiperespiritualismo e aí nos explica do que se trata esta doença. Hoje, o personagem poderia ser diagnosticado com tudo o que há de disponível no mercado da saúde mental: de borderline à sociopatia. Sei que resumir um conto quase sempre torna-o chato e desinteressante, mas vale a leitura deste conto, produzido por um escritor em plena maturidade criativa e vigor intelectual (ele viria a falecer três anos depois de sua publicação). Vale porquanto a forma como ele vai construindo, descrevendo e apresentando-nos o personagem e sua diva é coisa de que só os grandes escritores são capazes. Uma curiosidade: ao contrário de Machado de Assis, Eça produziu poucos contos, reunidos e publicados com o singelo título 'Contos' em 1902; sua obra, além dos romances, é principalmente de crônicas, reportagens e matérias jornalísticas. Atualmente a crítica internacional o coloca ao lado de Joseph Conrad (1857-1924), autor de 'No Coração das Trevas' (1899), como um dos poucos grandes escritores do século XIX com um olhar arguto e crítico, a denunciar a violência do colonialismo europeu e suas consequências em África e Ásia. Suas análises sobre a (violência da) construção do canal de Suez são hoje clássicas e não há historiador que não as use. Relendo anos depois, pude compreender porque este conto causou tanta admiração, espanto e inveja no nosso maior escritor. Não é à-toa que este livrinho - que comprei num sebo muitos anos atrás por um preço risível (uns R$ 5,00 nos dias atuais) quando ainda estava no ensino médio - tornou-se um dos meus favoritos de toda a vida. Salve Eça!
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