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    Libra -

    Don DeLillo

    Rocco
    1995
    434 páginas
    14h 28m
    ISBN-10: 8532505015
    Português Brasileiro
    4.2
    25 avaliações
    Leram44Lendo4Querem62Relendo0Abandonos4Resenhas5
    Favoritos3Desejados62Avaliaram25

    Libra é a história de Lee Harvey Oswald, contada com o pulso e a inventividade narrativa de DeLillo. É também uma investigação da natureza conspiratória da modernidade.

    Edições (2)

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    Resenhas (5)Ver mais
    João Guilherme Gurgel picture
    João Guilherme Gurgel25/07/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Há um mundo dentro do mundo

    E este mundo se chamava Lee Harvey Oswald. Considerado por muitos um Great American Novel (um romance que mordazmente faz um retrato de certa época dos Estados Unidos), a Libra do título se refere ao signo de Lee Harvey Oswald, o suposto algoz de John F. Kennedy. Posso me considerar um leitor atípico, dado ao fato que sou obcecado pelo assassinato dos Kennedys (por mais mórbido que isso soe), - aqui, Don DeLillo monta dois núcleos, o primeiro formado por ex-funcionários da inteligência que, envergonhados com o desastre da Baía Dos Porcos, somado à morosidade de um presidente um tanto diplomático, percebem que apenas uma tentativa de assassinato (ou um assassinato em si?) pode fazê-los achar pretexto para invadir Cuba; paralelamente, acompanhamos Lee, desde sua carreira como Fuzileiro, sua deserção para a União Soviética e seu regresso aos EUA, já casado e munido de intenções turvas, incógnitas. E bota incógnito nisso. Os escritores pós modernos (e, em especial, DeLillo e Pynchon) tem essa habilidade de extrapolar o corporativismo; chega uma hora que não sabemos mais a índole de certas pessoas, muito menos como elas chegaram na história, uma cacofonia que não demora a se tornar uma polifonia; são um milhão de vieses de diálogos, cada núcleo tendo uma característica (estas que, em miríades, perdemos umas nas outras); não sabemos quem-está-do-lado-de-quem, muito menos se há um lado definido; e, o principal ponto de história, em que lado Oswald está. Pois há certos momentos que tenho a nítida impressão que DeLillo fez um personagem incógnito, donde não sabemos o fronteiriço entre sua autonomia e o quanto foi manipulado; é como se ficássemos no embate de até quanto Lee tomava as rédeas do que acontecia, até quanto fora enganado. Tal como em Submundo, a escrita de DeLillo mistura onisciência da terceira pessoa com fluxo de consciência, às vezes, por um só parágrafo de diferença, havendo uma intercalação de núcleos, indo do passado ao futuro de uma só vez (e, sendo bem sincero, por mais tenha adorado os núcleos de Oswald e de seu algoz, Jack Ruby, os núcleos dos agentes dissidentes da CIA foram chatíssimos). De qualquer maneira, a escrita de DeLillo é um bálsamo, - possui pleno poder narrativo, esmiuçando a paranoia e a efervescência estadunidense na idiossincrasia de seus personagens. Terminado o livro, fica cada vez mais claro seu subtom quase sociológico; escolhendo um só fato e o explicitando, mostrando como moldara toda uma época. Recomendadíssimo. O capítulo *22 de Novembro*, que se acompanha os acontecimentos do dia do assassinato, é um dos melhores capítulos de livro da literatura estadunidense.

    16 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.2 / 25
    • 5 estrelas44%
    • 4 estrelas44%
    • 3 estrelas8%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas4%
    Don DeLillo profile picture

    Don DeLillo

    Don DeLillo é um escritor, dramaturgo e ensaísta norte-americano, cujo trabalho traça um retrato detalhado da vida americana no século XX. Os romances de DeLillo abordam temas tão diversos como a televisão, a guerra nuclear, os esportes, as complexidades da linguagem, arte performática, a Guerra Fria, a matemática, o advento da era digital e do terrorismo global. Foi galardoado com o National Book Award, o PEN/Faulkner Award e o Jerusalem Prize. Submundo foi finalista dos prémios Pulitzer e do National Book Award e recebeu em 2000 a Medalha Howells da American Academy of Arts and Letters pela mais eminente obra de ficção dos últimos cinco anos; em 2006, foi considerado um dos três melhores romances dos últimos vinte e cinco anos pela New York Times Book Review.

    34 Livros
    56 Seguidores
    NY, EUA

    Don DeLillo