As duas mais duradouras experiências autoritárias brasileiras foram construídas – e justificadas – a partir de discursos anticomunistas. Neste livro são descritas em detalhe as lideranças, as organizações e as ideias dos movimentos políticos que, unidos para lutar contra o "perigo vermelho", deram origem aos golpes de 1937 e 1964 (e respectivas ditaduras). Publicado originalmente em 2002, e desde então referência para o estudo da história contemporânea do Brasil, a obra mostra-se plena de atualidade, em vista do cenário político brasileiro. Por isso, a edição traz um posfácio analisando o contexto da recente mobilização da direita radical, em que o leitor encontrará elementos para compreender os dilemas atuais. O atual retorno do anticomunismo ao cenário político evidencia o acerto da hipótese desenvolvida no livro. "Em guarda contra o perigo vermelho" ajuda a entender como um candidato de origem militar que prometeu acabar com os "vermelhos" ganhou as eleições presidenciais de 2018, com estratégia discursiva que representa a reapropriação da tradição anticomunista instituída no século XX. Estudo seminal sobre os valores, crenças, medos e ações de grupos brasileiros que ao longo do século XX lutaram contra o "perigo vermelho", contribui para a compreensão do impacto dos movimentos de direita no Brasil, que, com o uso de linguagem anticomunista para justificar os golpes autoritários de 1937 e 1964, inauguraram as mais marcantes e duradouras ditaduras brasileiras. O autor destrincha os movimentos políticos, os líderes e as organizações que se juntaram para combater o comunismo, bem como as ideias e imagens utilizadas para divulgar seus argumentos, inclusive aquelas inspiradas em fontes internacionais. O objetivo é compreender e explicar movimentos políticos que contribuíram para construção da longeva máquina policial-repressiva do Estado brasileiro, que durante décadas se utilizou de representações anticomunistas para justificar o cerceamento da liberdade. A hipótese central é que tais representações se enraizaram na sociedade brasileira a partir dos anos 1930, graças a entidades estatais e privadas empenhadas em construir e a disseminar imagens aterrorizadoras sobre o perigo vermelho. Tais esforços das lideranças direitistas propiciaram a constituição de arraigado imaginário anticomunista, disponível para ser mobilizado em momentos críticos e campanhas de deslegitimação das esquerdas. O trabalho é baseado em ampla e diversificada documentação como registros policiais, arquivos de líderes políticos, jornais da grande imprensa, periódicos de grupos militantes, livros e brochuras produzidos por ativistas, monumentos, caricaturas e fotografias.




