Em Guarda Contra o Perigo Vermelho - O Anticomunismo no Brasil (1917 - 1964)

    Rodrigo Patto Sá Motta

    Perspectiva
    2002
    306 páginas
    10h 12m
    ISBN-10: 8527302926
    Português Brasileiro

    Rodrigo Patto Sá Motta desenvolve neste livro uma abrangente avaliação do impacto exercido pelo anticomunismo no Brasil, trazendo à tona o papel desse fenômeno na dinâmica da nação, no decurso do século XX, particularmente nas conjunturas críticas de 1935/37 e 1961/64, quando as ameaças imputadas ao comunismo forneceram o principal argumento para as duas rupturas institucionais mais sérias do período republicano, origem dos regimes autoritários de maior duração já sofridos pelo país. Em conjunto com o histórico das ações empreendidas pelos anticomunistas, o autor faz um rico e instrutivo levantamento do universo de representações que elas produziram acerca de seus inimigos. Ao longo de sua atuação em nosso cenário político, os comunistas foram configurados por estes seus adversários sempre como personagens dos mais nefastos, violentos, ateus, imorais (ou amorais), estrangeiros, traidores, tirânicos etc. nas versões mais extremadas, assumiram as feições de parceiros do próprio diabo - representações maniqueístas, que cumpriram a contento o papel de demonizar os seus ideais e atalhar a sua propagação no Brasil. Trata-se de uma obra que tem como objetivo enriquecer os conhecimentos históricos, políticos e sociológicos de todos aqueles que estão preocupados em chegar a uma visão crítica e objetiva de um dos mais nefastos períodos da vida brasileira.

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    Paulo César Gomes12/03/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Você sabe definir comunismo? Ou melhor, você sabe que a ideologia anticomunista foi uma das principais bases das duas ditaduras brasileiras no século XX: a ditadura do Estado Novo (1937-1945) e a ditadura militar (1964-1985)? O livro do historiador Rodrigo Patto Sá Motta é uma referência nesse campo de estudos. A utilização de discursos anticomunistas vem mobilizando setores conservadores da sociedade brasileira ao menos desde os anos 1920 e, surpreendentemente, continuam a ser utilizados até os dias atuais, quando, na prática, já não existe mais nenhum país propriamente comunista no mundo. Um dos pilares do bolsonarismo é o anticomunismo, ao lado da apologia à violência e do discurso moralizante da anticorrupção. Sem dúvida, os usos políticos de exemplos do passado autoritário brasileiro tem como objetivo justificar discursos e práticas violentas e excludentes no momento atual. Na segunda edição da obra (EdUFF, 2020), publicada originalmente em 2002, o autor acrescentou um posfácio que nos ajuda a compreender esse aspecto do bolsonarismo e suas consequências na Brasil atual.

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