A casa da alegria -

    Edith Wharton

    José Olympio
    2021
    406 páginas
    13h 32m
    ISBN-13: 9786558470014
    Português Brasileiro

    Clássico de literatura estadunidense e mundial, A casa da alegria retrata, através da história de Lily, a subjetividade feminina, o empoderamento e da própria construção do que é ser mulher no início do século XX. O romance A casa da alegria é ambientado na Nova York do início do século XX, revelando a alta sociedade norte-americana e seus hábitos, desejos, segredos e ostentações. Em meio a essa realidade, encontra-se Lily Bart, uma jovem linda e bem educada que se vê desamparada financeiramente após a morte de seus pais. Ela é, então, acolhida pela tia, a única parente que se dispõe a ajudá-la, e passa a fazer o possível para se manter entre os grandes figurões da sociedade, embora suas condições não permitam que mantenha seus luxos. Lily Bart, com sua personalidade afiada e um talento especial para ler as pessoas, vai se mantendo entre os ricos como uma espécie de bibelô, sendo convidada para festas, eventos, temporadas no campo e até viagens. Seu objetivo é, conforme sua criação lhe ensinou, encontrar um marido que possa arcar com seus luxos, e assim levar uma vida confortável, porém sem abdicar de sua felicidade. No entanto, sua idade já é considerada avançada para o casamento e suas condições de vida não passam despercebidas pelo seu grupo de amigos. O romance representa as diversas restrições impostas às mulheres na sociedade, desde econômicas até morais. A protagonista Lily, em diversos momentos, se depara com a impossibilidade de ser tratada como igual pelos homens, em especial na área de negócios, e vê sua reputação arruinada por cometer atitudes simples como passear ou viajar sozinha na companhia de um homem. A casa da alegria apresenta as artimanhas que os homens podem construir, baseados na sua posição de poder, além das complexas relações de amizades por parte das mulheres, que, por vezes fragilizadas pela estrutura social de competição, podem cair na armadilha de tornassem inimigas. Edith Wharton apresenta nesta sua obra-prima um pouco de sua vivência pessoal em meio à alta sociedade nova-iorquina e ilumina diversas críticas sociais, como o papel imposto à mulher na sociedade, a educação das mulheres voltada apenas para os objetivos matrimoniais e a desigualdade no tratamento entre os dois sexos. Lily Bart é uma protagonista forte e inesquecível, para ser amada e odiada, mas, acima de tudo, compreendida.

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    Rafaelle Schutz Kronbauer23/03/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A casa da alegria

    Ouvi uma vez que boa literatura é aquela que nos incomoda. Acredito que eu nunca tinha entendido completamente o que essa frase queria dizer até ler A casa da alegria. Esse livro me virou do avesso e mexeu naquelas partes que eu normalmente prefiro deixar quietinhas. A história gira em torno de Lily Bart. Criada para ter um gosto refinado, ficou órfã logo após a falência da família e precisou ir morar de favor com uma tia. Mesmo sem fortuna, Lily conseguiu se manter entre a mais alta sociedade. Sua beleza e carisma garantem um lugar em meio às mais refinadas pessoas, porém a jovem já conta com 29 anos e possui complicações financeiras que tornam cada vez mais urgente a necessidade de se casar.  Dividida entre a necessidade de dinheiro para manter os padrões de vida que ela conhece e a repugnância por um casamento apenas por dinheiro, Lily Bart ainda precisa lidar com os seus sentimentos por Selden, um simples advogado.  Os sentimentos de Lily por Selden muitas vezes mudam o rumo da trama de forma sutil. Os diálogos dos dois exercem um grande poder na mente de Lily sem que ela perceba. Os dois são forças opostas que se repelem e se atraem. Selden vê as maquinações de Lily para se manter na alta sociedade e faz troça disso. Lily percebe que ele enxerga a alma dela nua e sente seus valores questionados.  "– Por que faz isso comigo? – soltou.  – Por que faz as coisas que escolhi parecerem tão odiosas para mim, se não tem nada para me oferecer em troca?"  Apesar do romance existente na trama, ele não é o plot principal. Esse livro é sobre o conflito de Lily: uma mulher ensinada a viver apenas de aparências mas que começa a perceber o quanto sua vida é vazia. Vemos Lily crescer e vemos Lily lutar com todas a suas forças para não se quebrar. Vemos uma mulher perdida, fruto de uma sociedade fútil, mas que ainda luta para manter valores morais. E acabamos mergulhando nos questionamentos dessa personagem tão humana e nos perguntando junto com ela: o que é realmente valioso na vida? O que faz tudo valer a pena? Vale a pena abrir mão de seus valores pessoais para manter sua imagem perante à sociedade? Estamos realmente trilhando o caminho certo ou apenas o mais fácil? 

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