"Reivindicação dos direitos da mulher" é considerado um dos documentos principais referentes ao pensamento feminista. A sua publicação em 1792, pouco depois da Revolução Francesa, foi uma resposta à promulgação da Constituição Francesa de 1791, que excluía as mulheres do papel de cidadãs. Aqui, nota-se, que as ideias iluministas influenciaram a criação desse documento, e isso ajudou a autora a enfrentar grandes nomes do pensamento filosófico da sua época, indo na contramão de seus pensamentos, como por exemplo, de Rousseau que é citado no livro, além de ser o seu alvo principal, atacado de forma direta e irônica.
"O ser que pode governar a si próprio não tem nada a temer na vida."
A grande defesa de Mary Wollstonecraft é a educação, sobretudo, a feminina, defendendo que as mulheres devem ser educadas intelectualmente. Ela também discorre sobre a valorização moral em bases cristãs, - ainda que ela tenha tido uma vida fora do comum, transgressora e à frente do seu tempo, principalmente a amorosa, fora dos padrões -, e a fervorosa defesa da razão e do pensamento racional (trazido do Iluminismo).
"Desejo persuadir as mulheres a se esforçarem para adquirir força tanto da mente quanto do corpo."
A autora critica a educação feminina voltada para os bons modos, a beleza e a graciosidade, que segundo ela, enfraquece a mente da mulher, tornando-a submissa e infantilizada, o que seria ruim para a sociedade, e que nada mais é do que o resultado da maneira que são criadas. Basicamente, ela aponta aspectos da sociedade que não colocavam a mulher e o homem em pé de igualdade e que criando mulheres de forma diferente dos homens, acaba-se criando mulheres que não estarão aptas para viver em sociedade.
"Espero que meu próprio sexo me desculpe caso eu trate as mulheres como criaturas racionais, em vez de adular suas graças fascinantes e considerá-las como se estivessem em um estado perpétuo de infância, incapazes de ficar sozinhas."
Longe de ser uma leitura fluida, trata-se de um livro complexo que se repete bastante a fim de nos fazer entender e de argumentar a favor dos direitos igualitários da mulher. Durante a leitura me vejo concordando e discordando com muito do que a autora defendia, mas consciente que ela baseia sua análise com o mundo que conhecia, há mais de 200 anos, o que é bastante compreensível.
O fato da autora dialogar com outros autores, pode deixar o leitor um pouco perdido quando não se sabe de quem se trata, apesar das notas contidas no livro. Enfim, o livro não traz coisas tão novas, porque avançamos em muitos aspectos em relação às diferenças de gênero, porém podemos ver que ao compararmos com os tempos atuais, ainda existem algumas questões que permanecem quase da mesma forma e que continuam sendo discutidas.
"O entendimento do sexo feminino tem sido tão distorcido por essa homenagem ilusória que as mulheres civilizadas de nosso século, com raras exceções, anseiam apenas por inspirar amor, quando deveriam nutrir uma ambição mais nobre e exigir respeito por suas capacidades e virtudes."
"Eis um texto escrito em fins do século XVIII que continua atual."
^^