Existem livros que são entretenimento fácil pra gente ser feliz, outros mais reflexivos, outros mais profundos. Esse livro é um relato profundamente pessoal sobre uma situação muito intima contada de uma forma muito confusa que não vai agradar quase ninguém. Porque é um livro muito diferente de tudo.
Foi o 3 livro que li da autora, os outros são bem mais comerciais e fáceis de entender e "normais". Aqui eu não entendi muita coisa, minha experiência com ele foi maçante, foi complicado e sim eu terminei na base da raiva.
Mas não é um livro ruim só porque eu não entendi e minha experiência com ele não foi boa.
No livro temos uma menina jovem que vive nos anos 50, sua familia é de classe média e a criou sufocada em expectativas, nada do que ela faz é por ela e teve iniciativa dela. A faculdade que ela faz, a única vez na vida dela que vai se ve longe da gaiola que é a casa dela quem mando pra onde ir foi o pai. E a todo momento a figura do pai assombra a narrativa.
Essa menina claramente é neurodivergente, o cérebro dela funciona diferente dos demais, e toda a base que citei acima culmina para que a historia desça um labirinto de confusão porque logo no começo do livro, ela sofre um abuso. Não conta pra ninguém e enterra esse trauma dentro de si e acredita que a faculdade vai ser sua chance de escapar.
O livro fala muito de abuso, dessas grades que as mulheres nos anos 50 eram criadas. O que ela encontra são mais mulheres abusadas de formas diferentes; meninas sem voz, mulheres em relacionamentos tóxicos com homens muito mais velhos. Meninas mesquinhas e mimadas.
E tudo isso é o livro, não tem plottwist, não tem um enredo com fases, é a cabeça de alguém sofrendo e delirando. Muita coisa não consegui entender, muitas vezes a leitura me fez mal.
Mas é um daqueles livros que eu nem sei que nota dar, pq eu sei que o livro é tão maior do que a experiência que eu tive dele, e também eu não tive a capacidade certa pra entender tudo.
A escrita do começo é mais clara, e vai tudo se embaralhando muito. Mas o estilo da autora esta ali, essa estranheza, essa peculiaridade, esse olhar impar de ver as cosias.
Tem livro que é construído pra ser vendido mais e mais e ser uma leitura ok pra o máximo possível de pessoas, esse livro de mais de 70 anos é um relato ficcional intimo de alguém, é complexo, não é pra todos.
Nesses momentos eu consigo entender que literatura é arte, você pode odiar um artista, mas todo mundo sabe que um quadro é mais do que você pessoalmente acha dele.
Enfim, que livro confuso que coisa confusa.