Um romance sobre uma rapariga no limbo entre o racional e o irracional, Jackson alia o terror do thriller psicológico às subtilezas da comédia negra para retratar o medo existencial, a solidão e a consciência de si. Natalie Waite está de partida para a universidade, afastando-se enfim de um pai omnipresente e manipulador e da memória de um terrível acontecimento que guarda em segredo. Magra, nervosa e maníaca, Natalie anseia obsessivamente por um recomeço, longe do ambiente familiar hostil. Contudo, num campus enredado em episódios misteriosos e figuras grotescas, os demónios de Natalie continuam a atormentá-la, o fosso entre aquilo que ela é, ou procura ser, e aquilo que os outros vêem, ou esperam ver nela, torna-se intransponível. Assim, apelidada de sinistra e louca, alvo de troça e escrutínio, Natalie refugia-se num mundo da sua própria criação até conhecer Tony, que lhe oferece a promessa de uma vida nova para lá dos limites da cidade. Originalmente publicado em 1951, O Homem da Forca é uma das primeiras obras de Shirley Jackson, mestre da ficção gótica e do suspense. Neste romance de formação sobre uma rapariga no limbo entre o racional e o irracional, Jackson alia o terror do thriller psicológico às subtilezas da comédia negra para retratar o medo existencial, a solidão e a consciência de si. «Shirley Jackson é ímpar na criação de tremores silenciosos, crescentes e excecionalmente bem escritos.» - Dorothy Parker «Uma autora brilhante no estilo e na observação, na agudeza de espírito e na forma.» - Times Literary Supplement
O Homem da Forca -
Shirley Jackson
tipo uma obra de arte que ninguém entende porque não foi feito pra ninguém
Existem livros que são entretenimento fácil pra gente ser feliz, outros mais reflexivos, outros mais profundos. Esse livro é um relato profundamente pessoal sobre uma situação muito intima contada de uma forma muito confusa que não vai agradar quase ninguém. Porque é um livro muito diferente de tudo. Foi o 3 livro que li da autora, os outros são bem mais comerciais e fáceis de entender e "normais". Aqui eu não entendi muita coisa, minha experiência com ele foi maçante, foi complicado e sim eu terminei na base da raiva. Mas não é um livro ruim só porque eu não entendi e minha experiência com ele não foi boa. No livro temos uma menina jovem que vive nos anos 50, sua familia é de classe média e a criou sufocada em expectativas, nada do que ela faz é por ela e teve iniciativa dela. A faculdade que ela faz, a única vez na vida dela que vai se ve longe da gaiola que é a casa dela quem mando pra onde ir foi o pai. E a todo momento a figura do pai assombra a narrativa. Essa menina claramente é neurodivergente, o cérebro dela funciona diferente dos demais, e toda a base que citei acima culmina para que a historia desça um labirinto de confusão porque logo no começo do livro, ela sofre um abuso. Não conta pra ninguém e enterra esse trauma dentro de si e acredita que a faculdade vai ser sua chance de escapar. O livro fala muito de abuso, dessas grades que as mulheres nos anos 50 eram criadas. O que ela encontra são mais mulheres abusadas de formas diferentes; meninas sem voz, mulheres em relacionamentos tóxicos com homens muito mais velhos. Meninas mesquinhas e mimadas. E tudo isso é o livro, não tem plottwist, não tem um enredo com fases, é a cabeça de alguém sofrendo e delirando. Muita coisa não consegui entender, muitas vezes a leitura me fez mal. Mas é um daqueles livros que eu nem sei que nota dar, pq eu sei que o livro é tão maior do que a experiência que eu tive dele, e também eu não tive a capacidade certa pra entender tudo. A escrita do começo é mais clara, e vai tudo se embaralhando muito. Mas o estilo da autora esta ali, essa estranheza, essa peculiaridade, esse olhar impar de ver as cosias. Tem livro que é construído pra ser vendido mais e mais e ser uma leitura ok pra o máximo possível de pessoas, esse livro de mais de 70 anos é um relato ficcional intimo de alguém, é complexo, não é pra todos. Nesses momentos eu consigo entender que literatura é arte, você pode odiar um artista, mas todo mundo sabe que um quadro é mais do que você pessoalmente acha dele. Enfim, que livro confuso que coisa confusa.
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