Eu gosto de ser surpreendida. Quando abri a caixa da Escotilha de Março, e me deparei com uma obra escrita em 1778, confesso que não sabia o que esperar dela. Não sabia absolutamente nada sobre o romance ou sobre a autora, mas fiquei empolgada por ter a oportunidade de ler esse clássico com mais de 200 anos.
É uma história simples; bem simples, na verdade.
Nada de tramas muito elaboradas ou de atos heróicos e épicos. Também não conhecemos profundamente os personagens, mas sabemos o suficiente sobre eles para, logo de início, determinar seus papéis nos acontecimentos que se desenrolam.
A narrativa cheia de pompa e formalidades da época pode parecer caricata para os dias de hoje, mas, confesso, achei bem gostosinho de ler.
Também pode ser atribuído ao período em que foi escrito o vocabulário e os costumes, assim como a forma distante, e ao mesmo tempo estranhamente próxima, com que as pessoas se relacionavam: personagens que se veem uma vez, já desenvolvem enorme simpatia uns pelos outros; compromissos são formalizados em uma reunião; fidelidade e caráter são mensurados em uma única conversa...
Foi uma experiência interessante ler essa obra. Realmente me levou para outra época e para outro estilo de leitura. De certo, se fosse lançado atualmente, seria apenas mais uma história sem muita profundidade, mas, de alguma, forma podemos sentir o peso do tempo quando lemos essas páginas. E isso foi muito gratificante.
Há uma mistura de realidade e sobrenatural, em uma atmosfera comum em romances clássicos do gênero que me empolgou, mesmo sabendo que o enredo não reservava muitas surpresas.
Recomendo a leitura. Um clássico é um clássico e esse, particularmente, não achei difícil de acompanhar. Porém alerto: não se deve esperar ação e aventura medieval, mas uma história de mistério com um ritmo um pouco mais lento do que estamos acostumados a ler hoje em dia.
Já leu algum livro escrito antes do século XX?