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    Um país para morrer -

    Abdellah Taïa

    Nós
    2021
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9786586135343
    Português Brasileiro
    4
    64 avaliações
    Leram83Lendo2Querem124Relendo0Abandonos1Resenhas12
    Favoritos3Desejados124Avaliaram64

    Um país para morrer é formado sobretudo por diálogos, o que pressupõe uma série de encontros. Só conversa quem se dispõe a estar diante do outro. Uma mulher se prostitui para soldados franceses durante a ocupação na Indochina enquanto tenta convencer um deles a acompanhá-la à Índia. A personagem principal do livro encontra um jovem iraniano desfalecendo no metrô de Paris e o acolhe, para depois ouvir (e ler) sua história de perseguição e fuga. Os encontros aqui não são apenas entre pessoas. Como diálogos pressupõem movimento, já que são um vai e vem, as personagens estão o tempo inteiro se deslocando. O encontro que elas têm com sociedades estrangeiras, por exemplo, nunca é pacífico. A percepção de Abdellah Taïa é clara: países que exploram outros fazem o mesmo com os corpos estrangeiros. Enquanto consolida o processo de transição para o sexo feminino, Aziz radiografa a sociedade francesa: “(…) no fim das contas, o que temos aqui, em Paris, no coração da França? Uma burguesia tacanha, orgulhosíssima de sua cultura e sempre muito satisfeita consigo mesma. Pequenas tribos, aqui e acolá, que me lembram algumas que conheci na Argélia. Dos dois lados, a mesma coisa. Eles pensam que vivem na liberdade verdadeira, mas tudo que fazem é se submeter ao mais forte, ao mais esperto. Você quer nomes dessas tribos superfrancesas? Louis Vuitton. Hermès. Dior. Chanel. O Louvre. École Normale Supérieure, onde os idiotas do Jean-Jacques e do Pierre ensinam.” Apesar de toda a violência, dos corpos que sofrem e dos deslocamentos quase sempre obrigatórios, o romance é cheio de lirismo, passagens oníricas e sobretudo personagens dotadas de grande sensibilidade. Como estão todas à margem, um último movimento se impõe. É preciso virar os olhos e observar os verdadeiros agentes da violência: os donos de qualquer poder. Ricardo Lísias

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    Marcelo Barreiros - @cellobooks picture
    Marcelo Barreiros - @cellobooks16/10/2024Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Resenha publicada no Booksgram @cellobooks 📚

    “Um País para Morrer”, de Abdellah Taïa, é um romance que mergulha profundamente nas vidas de personagens à margem da sociedade marroquina e francesa. O autor, conhecido por sua ousadia em abordar questões de sexualidade, imigração e identidade, oferece uma narrativa poderosa sobre as dores do exílio, do corpo e da alma. A trama gira em torno de vários personagens cujas vidas se cruzam de maneira visceral: Zahira, uma prostituta marroquina envelhecida e cansada, Aziz, seu amigo e ex-boxeador que sonha em mudar de sexo para encontrar uma nova vida, e Mojtaba, um refugiado iraniano que carrega consigo as cicatrizes de um passado doloroso. Todos eles, de formas distintas, buscam um refúgio, um lugar para existir plenamente, e um sentido em meio a uma realidade opressiva. Taïa descreve a solidão, a desesperança e os traumas dessas pessoas de maneira quase poética, mas sem nunca suavizar a brutalidade de suas experiências. O corpo — com seus desejos, suas violências e suas marcas de identidade — é central na obra. A sexualidade, especialmente a queer, é tratada com uma crueza que reflete a realidade de quem vive em constante repressão e preconceito, tanto em sua terra natal quanto no estrangeiro. Um dos temas mais fortes do livro é o exílio — tanto o exílio físico, com personagens que deixam seus países em busca de sobrevivência, quanto o exílio emocional e psicológico, ao tentar se encontrar em uma sociedade que constantemente os rejeita. O Marrocos e a França servem como cenários para esses dilemas, representando lugares de promessas falhas e sonhos quebrados. A escrita de Taïa é direta e crua, mas também profundamente lírica. Ele tece as histórias com uma intensidade emocional que prende o leitor, mesmo quando o conteúdo é desconcertante. Em “Um País para Morrer”, não há soluções fáceis ou finais redentores; ao contrário, o romance reflete as realidades duras e contínuas da vida dos imigrantes, dos queer e dos pobres. Gostei bastante pela oportunidade de refletir e conhecer mais sobre a cultura marroquina mas por vezes me perdi no texto, me deixando confuso com os entrelaçamentos da história.

    13 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4 / 64
    • 5 estrelas23%
    • 4 estrelas45%
    • 3 estrelas27%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas0%
    Abdellah Taïa profile picture

    Abdellah Taïa

    Abdellah Taïa (em árabe: عبد الله الطايع; Salé, 1973) é um escritor e cineasta marroquino que escreve em francês e mora em Paris desde 1999. Publicou nove romances, muitos deles fortemente autobiográficos. Seus livros foram traduzidos para basco, neerlandês, alemão, inglês, italiano, português, romeno, grego, espanhol, sueco, dinamarquês e árabe. Descrito pela Interview Magazine como um "transgressor literário e modelo cultural", Taïa tornou-se o primeiro escritor árabe abertamente gay em 2006 e continua a ser o único escritor ou cineasta marroquino abertamente homossexual. Seu primeiro filme, Salvation Army, é amplamente considerado como tendo dado ao cinema árabe "seu primeiro protagonista gay". Desde que se assumiu, de acordo com uma fonte, Taïa "tornou-se uma figura icônica em sua terra natal, Marrocos, e em todo o mundo árabe, e um farol de esperança em um país onde a homossexualidade é ilegal".

    8 Livros
    5 Seguidores
    Salé, Marrocos

    Abdellah Taïa