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    Manhã submersa -

    Vergílio Ferreira

    Moinhos
    2021
    176 páginas
    5h 52m
    ISBN-13: 9786556810942
    Português
    3.6
    63 avaliações
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    Favoritos0Desejados87Avaliaram63

    Finalmente Vergílio Ferreira, um dos maiores ícones da literatura portuguesa, por diversas vezes nomeado ao prêmio Nobel de literatura, é publicado no Brasil. Autor de contribuição vasta e inspiradora, é neste Manhã submersa, romance publicado em 1954, que ele aprofunda um viés narrativo que perduraria ao longo de toda a sua obra: o existencialismo como forma de compreender as grandes questões humanas. Manhã submersa conta a história de António Lopes, jovem de origem humilde que, enviado ao pequeno Seminário da Diocese da Guarda contra a sua vontade, vê-se às voltas com descobertas intensas que terminarão por moldar sua vida e seu futuro. Narrado pelo próprio António, o romance é o recordar dessa vida, mas não se trata de uma memória qualquer: o que reside no personagem é uma memória angustiante, questionadora, por vezes trágica, preocupada em analisar a consciência como em Dostoiévski, num misto de constatação da realidade e um imaginário tão real quanto sufocante. Alter-ego do próprio Vergílio Ferreira, António Lopes desfia seus descaminhos munido de vasto conhecimento próprio a respeito do que era a vida nos seminários durante as primeiras décadas do século XX. Sentimentos como angústia, solidão, o temor a Deus e ao pecado, além do temor aos padres, representantes do divino na terra e, portanto, perfeitos, colocam sob uma lupa os sentimentos conflitantes do jovem António que, somados à descoberta do corpo, evidenciam ainda mais suas dúvidas. O romance será um fragoroso deleite para os entusiastas da literatura portuguesa ou para quem tenciona descobri-la. Em suas construções sobre pontes universais e atemporais, Vergílio Ferreira nos presenteia com uma obra que nos faz revisitar nossos percursos, expiar nossos equívocos e descobrir novas trilhas, como bem faz a literatura que ergue pilares. Marco Severo

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    arthur picture
    arthur21/11/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Que mitos foram falsos para a dor que os pediu?

    E agora, perdido no largo vento da montanha, eu relembrava tudo isso com a certeza brusca de facadas. até que, aturdido de horror, sentei-me na cama, abruptamente, e procurei fósforos pela mesa. mas não havia fósforos. deitei-me então outra vez, estalando de atenção, aplicado raivosamente a decifrar cada ruído e cada sombra. sentíamo-nos menos infelizes e todavia ambos nos acusávamos surdamente de cobardes. eu contava com a coragem do meu amigo, talvez, para atormentar a mim próprio e ter vaidade nele; e ele também, decerto, para ter vaidade em mim. ali estávamos, no entanto, indefesos, derrotados, tentando reencontrar-nos no olhar triste que demos um ao outro. não quis saber como tinha sido o seu desastre. também não me perguntou como fora o meu.

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