O que poderia ter sido e não foi
Conseguiu ser fluido, fácil, sem ser banal; mesmo quando parece que vai escorregar na banalidade, uma frase, um recorte de diálogo recompõe o livro. Porque é muito simples, apenas um casal de desconhecidos que aproveitam a companhia um do outro para empreenderem essa viagem ao Deserto. Alternando as vozes - ele conta, às vezes ela - temos aquele jogo tão velho, o mais antigo do mundo: homens e mulheres. Sousa Tavares confirma impressões usuais que todos temos, e o faz assim mesmo com charme: um homem e uma mulher que convivem por quarenta dias no Deserto e estabelecem um tempo e um espaço fora do tempo e do espaço, porque se torna deles; e ambos sabem que aquele é o único espaço e tempo em que poderão conviver; que será só deles dois, e mágico. Não se repetirá. Mas, será mesmo? O desfecho me fez pensar num miniconto que escrevi no blog certa vez: "E Se...?" Pois é isto: e eles estivessem errados? E se tivessem arriscado? Não é melhor tentar e errar do que renunciar sem nunca ter tentado? A escrita de MST - se é sempre assim: é o primeiro que leio dele - é gostosa, mas não superficial. Não é uma escrita que parece ter segredos, mas agrada no fim; na sensação que deixa. Melhor: achei No Teu Deserto uma história de amor que não procurou pretextos, desculpas para ser outra coisa. Que se assumiu como uma história de amor, ou melhor: de um amor que poderia ter sido...



