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    No teu deserto (Coleção Folha Literatura ibero-americana #17) -

    Miguel Sousa Tavares

    Folha de S.Paulo
    2012
    112 páginas
    3h 44m
    ISBN-13: 9788579490637
    Português
    3.7
    426 avaliações
    Leram654Lendo17Querem407Relendo0Abandonos8Resenhas73
    Favoritos11Desejados407Avaliaram426

    Uma imagem e uma memória. Um afeto e uma experiência. Um homem e uma mulher que se encontraram por acaso e se perderam para sempre. Com esses pares mínimos, Miguel Sousa Tavares desenha um mapa da desorientação contemporânea em No teu deserto, seu nono trabalho literário, publicado originalmente em 2009. O autor português que estreou com o celebrado Equador adota neste curtíssimo relato um estilo intimista e depurado, distinto dos afrescos históricos e caudalosos que lhe deram renome. Na obra, misto de aventura com reflexão lírica sobre perdas, temas como a saudade e a melancolia reafirmam seu lugar de honra na visão de mundo lusitana. A travessia do Saara feita por um casal que mal se conhece retoma a antiga mistura de fascínio e terror que o homem tem pelo deserto e que sempre atraiu os artistas. Nessa paisagem desolada, abismo da alma e espelho cósmico da solidão, reconhecem-se os rastros deixados por Rimbaud e Hemingway, Camus e Antonioni, Paul Bowles e Raymond Depardon. Cássio Starling Carlos Crítico da Folha

    Edições (3)

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    Carla Silva picture
    Carla Silva28/07/2012Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O que poderia ter sido e não foi

    Conseguiu ser fluido, fácil, sem ser banal; mesmo quando parece que vai escorregar na banalidade, uma frase, um recorte de diálogo recompõe o livro. Porque é muito simples, apenas um casal de desconhecidos que aproveitam a companhia um do outro para empreenderem essa viagem ao Deserto. Alternando as vozes - ele conta, às vezes ela - temos aquele jogo tão velho, o mais antigo do mundo: homens e mulheres. Sousa Tavares confirma impressões usuais que todos temos, e o faz assim mesmo com charme: um homem e uma mulher que convivem por quarenta dias no Deserto e estabelecem um tempo e um espaço fora do tempo e do espaço, porque se torna deles; e ambos sabem que aquele é o único espaço e tempo em que poderão conviver; que será só deles dois, e mágico. Não se repetirá. Mas, será mesmo? O desfecho me fez pensar num miniconto que escrevi no blog certa vez: "E Se...?" Pois é isto: e eles estivessem errados? E se tivessem arriscado? Não é melhor tentar e errar do que renunciar sem nunca ter tentado? A escrita de MST - se é sempre assim: é o primeiro que leio dele - é gostosa, mas não superficial. Não é uma escrita que parece ter segredos, mas agrada no fim; na sensação que deixa. Melhor: achei No Teu Deserto uma história de amor que não procurou pretextos, desculpas para ser outra coisa. Que se assumiu como uma história de amor, ou melhor: de um amor que poderia ter sido...

    15 curtidas

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