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    O arador das águas -

    Hoda Barakat

    Tabla
    2021
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-13: 9786586824162
    Português Brasileiro
    3.7
    36 avaliações
    Leram46Lendo5Querem191Relendo0Abandonos3Resenhas7
    Favoritos0Desejados191Avaliaram36

    Niqula Mitri, o narrador e protagonista deste romance, é um homem solitário que percorre a cidade de Beirute, devastada pela guerra, recordando as histórias de seu pai e de sua mãe egípcia, sua relação com a amada Chamsa, e vários episódios da história universal que costuram, em sínteses vertiginosas, o seu amor pelos tecidos. Niqula herda do seu pai não apenas uma loja, mas uma espécie de código têxtil, uma lente pela qual ele pode compreender o mundo. Hoda Barakat construiu, em O arador das águas, uma obra-prima da narrativa que, como um tear, sobrepõe, em distintas cores, tempos, histórias, conhecimentos e memórias. Tudo isso amparado por uma urdidura de intensa força poética.

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    Berttoni Licarião picture
    Berttoni Licarião26/05/2022Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Leituras de 2022 | Clube de leitura da @circulares.livros O arador das águas [1993] Hoda Barakat (Líbano, 1952-) Tabla, 2021, 240 p. Trad. Safa Jubran Há certa altura deste romance, o narrador diz à pessoa amada: “você deve voltar para casa. Deve ficar um pouco mais dentro do que eu contei a você, do que ouviu. Como o bicho-da-seda, você deve jejuar, resistindo ao apetite voraz de escutar, para que o belo fiar da história se complete.” Esse conselho de reclusão (além de beneficiar indiretamente leitoras e leitores que se decidirem a ouvi-lo) é um gesto que contamina a narrativa em diferentes instâncias, à medida que a história que se conta na superfície tece outras histórias – lendas, memórias, teares e trançados – urdidas na melancolia dos escombros e das memórias familiares perdidas. “O arador das águas” conta a história de uma Beirute devastada pela guerra e abandonada à própria sorte, onde um vendedor de tecidos passa seus dias entre prédios abandonados e ruas bombardeadas, em busca de comida e proteção contra o frio e as feras à espreita. Nesse ambiente antes familiar agora hostil, a lembrança dos tecidos e dos ensinamentos contados pelo pai sobre as origens do linho, do veludo e da seda, por ex., resgatam a humanidade de Niqula em meio à desumanização do conflito que transforma a paisagem ao seu redor. Assim como o mantém vivo as recordações de sua amada Chamsa, descendente de curdos que também traz ao romance sua própria parcela de desterro, luta, poesia e resistência. Entre o sonho e o delírio, entre a tradição transmitida oralmente e o trauma coletivo da guerra, os caminhos traçados pelo corpo e pela mente de Niqula perfazem um conhecimento que, como a trama dos tecidos, “não deix[a] vestígio nos sedimentos nem nas sucessivas camadas”, “um tanto semelhante ao pó deixado pelo músculo do coração.” Muito diferente da proposta e do registro que me fizeram me apaixonar pela autora após a leitura de “Correio noturno”, há neste romance um certo lirismo contemplativo que resiste às atrocidades e ensina que todo fiar é feito de tempo e de histórias — sobretudo aquelas que mãos e ouvidos atentos conseguem guardar, proteger e levar adiante.

    14 curtidas

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    Avaliações

    3.7 / 36
    • 5 estrelas19%
    • 4 estrelas28%
    • 3 estrelas39%
    • 2 estrelas14%
    • 1 estrelas0%
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    Hoda Barakat

    Hoda Barakat é considerada uma das vozes mais poderosas da literatura contemporânea do Oriente Médio. Em 2000, a autora recebeu a Medalha Naguib Mahfouz de Literatura por O arador das águas (título provisório, a ser publicado pela Editora Tabla em 2021), e, em 2019, ganhou o International Prize for Arabic Fiction por Correio noturno.

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