Toda a prosa curta de Truman Capote, autor de A sangue frio e Bonequinha de luxo, reunida pela primeira vez em um só volume. Inclui o conto inédito A pechincha. 20 contos apresenta a genealogia de um talento. Das primeiras tentativas, no início dos anos quarenta, quando já era possível notar o poder de observação e a habilidade para condensar situações em cenas breves, até o apogeu demonstrado nos últimos trabalhos, pode-se seguir quase cronologicamente a evolução da sua prosa. A vida de Capote, ela mesmo merecedora de um tratamento ficcional, também serve para traçar paralelos. O escritor era fascinado pela alta sociedade americana, e ela retribuiu a adoração. Os dois primeiros contos apresentam essa sociedade com uma certa reverência, enquanto trabalhos tardios, como Mojave e A pechincha, traçam um retrato muito mais cru, e provavelmente acurado, daquela classe. Nos últimos contos, ele se debruça com olhar agridoce sobre a infância, passada numa grande casa cheia de primos e tias no sul empobrecido do país depois da Depressão. Entre essas duas pontas, transparece um tanto da dureza da vida de exilados na cidade grande, um bocado de solidão e de corações partidos. Um vasto e magistral desfilar de ilusões perdidas até o refúgio na infância, nos contos em que Capote mostra a sua melhor forma.
20 contos - [eBook]
Truman Capote
Quando o sul vence o norte...
O livro traz vinte histórias escritas por Truman Capote (1924-1984) antes do sucesso avassalador de A Sangue Frio (1965), sua obra-prima, que o fez tornar-se tão conhecido do grande público nos EUA quanto outro monstro sagrado das letras de então: Ernest Hemingway. Ambos não exatamente por suas obras, como destaca Reynolds Price na Introdução do volume. Mas porque os dois tiveram livros adaptados para o cinema, estampavam reportagens e entrevistas em revistas de grande circulação ou programas de tevê e participavam de caçadas e touradas, como Hemingway, ou de festas memoráveis, como Capote. Eles escreviam – muitos contos, inclusive - mas isso não significava que seus admiradores lessem seus livros com a mesma avidez com que acompanhavam suas aventuras ou festas nas revistas e jornais. Price traça uma pequena biografia do escritor, vai bem além da sua vida pessoal e destaca suas qualidades de contista. Que teriam sido influenciadas primeiramente por duas escritoras contemporâneas, Carson McCullers e Eudora Welty, sulistas como ele. Depois, Capote adquire seu próprio modo de contar as coisas, sua ficção, isso ainda nos anos 1940, época à qual pertence a maioria dos textos deste volume. E Price tem razão especialmente nisso: os melhores contos, aqueles que ficarão para sempre na nossa memória (ou por algum tempo) remetem muito mais para a vida no sul do país, rural por excelência e ligada à infância do autor, do que propriamente para as histórias passadas em centros urbanos envolvendo adultos. Minha avaliação dos contos não tem nada a ver com a qualidade de cada um, mas com o modo como reagi empaticamente às suas palavras e situações, portanto é totalmente subjetiva e não serve como orientação para outros leitores. Ou pode servir, não sei. Penso que quatro contos são ótimos (justamente os que se passam no sul do país), sete são bons e os regulares ou medianos formam a maioria, nove. Desconsiderei fazer um pequeno resumo de cada um porque outro leitor já fez isso. As paredes são frias - Bom Um vison próprio - Regular A forma das coisas - Regular O jarro de prata - Ótimo Mirian - Bom Meu lado da questão - Bom A lenda do Pregador - Regular Uma árvore da noite - Bom O falcão sem cabeça - Regular Fechar a última porta - Regular Crianças em seus aniversários - Bom Senhor Desgraça - Regular A pechincha - Regular Um violão de diamante - Bom Uma casa de flores - Regular Memória de Natal - Ótimo Entre os caminhos para o Éden - Bom O convidado do Dia de Ação de Graças - Ótimo Mojave - Regular Um Natal – Ótimo Lido entre 02 e 10/01/2020. Avaliação geral: 3,75.
Estatísticas
Avaliações
3.9 / 285- 5 estrelas30%
- 4 estrelas38%
- 3 estrelas24%
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