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    À Sombra do Cipreste -

    Menalton Braff

    Palavra Mágica
    1999
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.3
    164 avaliações
    Leram290Lendo22Querem253Relendo0Abandonos13Resenhas14
    Favoritos1Desejados253Avaliaram164

    Sintéticos e densos, os contos do gaúcho Menalton Braff provam que têm fôlego para se inserir na melhor tradição desse gênero no Brasil. À Sombra do Cipreste (Palavra Mágica, 144 págs., R$ 20) traz 18 pequenas histórias que foram produzidas nos últimos anos por esse professor residente em Serrana (interior de São Paulo), vencedor do prêmio Jabuti 2000 e homem marcado por intensa militância política no Rio Grande do Sul dos anos 60. Captando a crispação de vários instantes, a narrativa de Menalton exprime em poucas palavras a febril intensidade daqueles momentos da existência onde tudo se modifica ou define. Como o conto “Moça Debaixo da Chuva: os Ínvios Caminhos”, que congela o ritmo de um amor impossível durante uma chuva rápida numa dessas ruas “melancólicas e metalúrgicas”. No conto que dá título à obra, ele focaliza a sabedoria da velhice que observa os jovens, detectando suas risadas, toda a essência humana, “esse caldo grosso e corrosivo, quase nunca inocente”. Um velório, um homem que espreita sua paixão e outro que ouve constrangido o desespero de um amigo numa mesa de bar, estão entre os flashes repletos de sentimentos entrevados, corações secos e desespero pelas perdas, mas também de desejos que ainda pulsam. O conto “Crispação” é uma joia ao sintetizar o cotidiano de um casal cujo amor se converteu no vazio e nos dias perdidos e infinitos. Já “Domingo” traduz a neurose de um pai de família em seu dia de folga, num texto sem pontuação que corre como o fluxo de um nervoso monólogo interior. Belas em sua brevidade, as histórias do livro trazem sempre certo tom nostálgico de algo que poderia ter se realizado mas não foi. Mais do que uma inquietante coleção de contos esparsos, elas formam um conjunto temático bem coerente, expondo uma visão acabada da vida.

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    Renan Alves Melo picture
    Renan Alves Melo21/08/2024Resenhou um livro
    0

    Uma grande obra, sem sombra de dúvida

    Menalton Braff é um fotógrafo. Porém, diferente dos demais profissionais dessa área, ele troca todo o aparato técnico para utilizar apenas uma ferramenta: a palavra. Seus contos são registros de breves momentos. E é nessa vida abreviada que o autor consegue esmiuçar a história não contada. Abrir o seu livro é como abrir uma janela pelo lado de fora, sem pedir licença, e observar o instante interno, na sugestão do que perdemos e na invenção do que poderia vir após a última frase. Seus personagens estão sempre no limiar de uma decisão. Nesse sentido, cada narrativa elabora as possibilidades que fazer ou deixar de fazer algo podem ocasionar. É a própria cena como protagonista, envolvendo seus participantes nessa ideia coadjuvante que o espaço nos causa. Os objetos, os móveis e os pertences exercem uma força silenciosa em cada situação. No próprio título, “À Sombra do Cipreste”, temos essa interferência apresentada. Aqui, uma família, sob a reflexão de sua matriarca, é condicionada ao sombrear que essa árvore centenária causa dentro de sua casa. Usando-se dessa sombra, derramada no piso, Menalton Braff instiga no leitor o conceito de tempo, sobretudo esse tempo da natureza, que tanto nos torna mera e perecível figuração da vida. E sem que a gente perceba. Como todo bom fotógrafo, o autor traz para o seu trabalho uma coleção de imagens instigantes. Um texto robusto e preenchido pela palavra na sua melhor forma. Cada linha convida à releitura, numa tentativa de também fotografarmos a beleza desse livro em nossas mentes.

    6 curtidas

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