Os Bórgias - A história da primeira grande família do crime

    Mario Puzo

    Record
    2021
    420 páginas
    14h 0m
    ISBN-13: 9788501062765
    Português Brasileiro

    Um retrato de uma das famílias nobres mais famosas - e criminosas - do Renascimento escrito pelo autor de O poderoso chefão Mario Puzo reinventou a literatura de ação e trouxe para o campo das letras a emoção e as intrigas de um submundo recheado de gângsters e heróis de moral duvidosa. Antes de sua morte, em 1999, o mais fiel menestrel da cosa nostra - com romances imortalizados também pelo cinema, como O poderoso chefão - resolveu buscar as origens da máfia numa das principais famílias transgressoras da história italiana. Em Os Bórgias, Puzo acompanha a trajetória do clã criminoso do século XV, uma família real, mas com traços de caráter dignos dos fictícios Corleones. Puzo demorou quinze anos para construir a trama dessa família, algumas vezes escorregadia, mas sempre maligna e extremamente política. A história começa com o cardeal Rodrigo Bórgia se transformando no sumo pontífice da Igreja católica, Carlos VI, ao manipular as eleições papais de 1492. Este se muda, então, para o Vaticano, acompanhado da amante e dos filhos: o simples e desprezado Jofre, o irascível e ciumento Juan, a bela e determinada Lucrécia - a mais famosa dos Bórgias - e o guerreiro César. Estes dois últimos envolvidos em uma relação incestuosa que escandalizou a sociedade da época. Determinado a estabelecer uma dinastia própria, Rodrigo controla sua prole com punho de aço e vontade de ferro. Nomeia o primogênito César - amigo pessoal de Maquiavel e o inspirador de seu Príncipe - como cardeal. Mas César tem sangue de soldado e anseia liderar o exército do papa na conquista da Itália central. Os Bórgias tem como fio condutor o apetite de Rodrigo por poder, riqueza e mulheres. Um apetite apenas rivalizado pelo amor doentio pela própria família. Rodrigo consolida seu poder em uma grande rede de alianças criminosas, que deu origem à grande família mafiosa imortalizada, séculos depois, pelo próprio Puzo. Os Bórgias é um romance histórico empolgante, uma sinfonia repleta de notas dissonantes: amor e orgulho, traição, ódio e assassinato. Um retrato das origens do crime organizado que merece figurar entre os melhores da carreira de Mario Puzo.

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    Carlos Nunes30/03/2020Resenhou um livro
    3 (Bom)

    A primeira família do crime

    Todo relato sobre pessoas ou famílias polêmicas da História me deixam com um pouco de dúvida sobre a veracidade dos fatos. Não que sejam impossíveis, mas as artes plásticas, a literatura, o teatro e o cinema nos fazem ver certas figuras históricas despidas de quaqluer traço de humanidade. Essa é a fama da família Bórgia. Mario Puzo, nesse livro, tenta ao menos dar um verniz de humanidade a Alexandre, César e Lucrécia Bórgia, colocando motivos razoavelmente nobres para seus atos. Mas, ainda assim, não atenua a má fama dessa família medieval, colocando-os quase como precursores da Máfia. A trama é bastante interessante, desvenda os meandros da política medieval e o poder do Papa e da Igreja, em meio a muitas guerras, casamentos arranjados, traições e assassinatos - tudo em nome de manter a família unida e no poder. Como coadjuvantes, figuras famosas (e reais), como Maquiavel (que escreveu O PRÍNCIPE baseado na personalidade de César Bórgia), Leonardo da Vinci e os reis católicos da Espanha, Fernando e Isabel. Tudo isso costurado por um bom talento narrativo, que Puzo, como roteirista, tinha pleno domínio. Mas, para mim, algo na equação não fechou - achei o desenvolvimento da trama e dos personagens bastante superficial, como o foco voltado para as tramoias sexuais e guerreiras, sem desenvolver bem os acontecimentos históricos, algo que me agrada muito nos romances históricos. Enfim, não é um livro de todo ruim, mantém o interesse, é fácil e agradável, o típico best-seller. Leitura válida, mas esquecível.

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