Todo relato sobre pessoas ou famílias polêmicas da História me deixam com um pouco de dúvida sobre a veracidade dos fatos. Não que sejam impossíveis, mas as artes plásticas, a literatura, o teatro e o cinema nos fazem ver certas figuras históricas despidas de quaqluer traço de humanidade. Essa é a fama da família Bórgia. Mario Puzo, nesse livro, tenta ao menos dar um verniz de humanidade a Alexandre, César e Lucrécia Bórgia, colocando motivos razoavelmente nobres para seus atos. Mas, ainda assim, não atenua a má fama dessa família medieval, colocando-os quase como precursores da Máfia. A trama é bastante interessante, desvenda os meandros da política medieval e o poder do Papa e da Igreja, em meio a muitas guerras, casamentos arranjados, traições e assassinatos - tudo em nome de manter a família unida e no poder. Como coadjuvantes, figuras famosas (e reais), como Maquiavel (que escreveu O PRÍNCIPE baseado na personalidade de César Bórgia), Leonardo da Vinci e os reis católicos da Espanha, Fernando e Isabel. Tudo isso costurado por um bom talento narrativo, que Puzo, como roteirista, tinha pleno domínio. Mas, para mim, algo na equação não fechou - achei o desenvolvimento da trama e dos personagens bastante superficial, como o foco voltado para as tramoias sexuais e guerreiras, sem desenvolver bem os acontecimentos históricos, algo que me agrada muito nos romances históricos. Enfim, não é um livro de todo ruim, mantém o interesse, é fácil e agradável, o típico best-seller. Leitura válida, mas esquecível.