Origens da Fundação (Fundação #7) -

    Isaac Asimov

    Aleph
    2021
    448 páginas
    14h 56m
    ISBN-10: B015EEALM8
    Português Brasileiro

    LEIA ANTES A SAGA ÉPICA QUE INSPIROU A NOVA SÉRIE DA APPLE TV+, FUNDAÇÃO, QUE ESTREIA EM SETEMBRO DE 2021 Oito anos se passaram desde os avanços iniciais da psico-história. Embora o Império Galáctico ainda demonstre grande força, Hari Seldon vê claros sinais de decadência e a inevitável ruína dessa poderosa estrutura. Entre as ameaças de um futuro caótico, guerras políticas e dramas pessoais, Seldon precisa lutar contra o tempo para implementar o trabalho de sua vida: um plano que pode abreviar em milhares de anos o período de trevas causado pela queda do Império. Concluído pouco antes de sua morte, em abril de 1992, ORIGENS DA FUNDAÇÃO é o sétimo e último volume da obra máxima de ISAAC ASIMOV. Nele, o Bom Doutor narra a segunda metade da vida de Hari Seldon – agora um notável cientista e político influente – e seu esforço para conduzir a humanidade a uma nova FUNDAÇÃO.

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    Régis Maz14/10/2025Resenhou um livro
    2.5 (Razoável)

    Quando a grandeza se dilui: uma experiência abaixo das expectativas

    Finalmente, após alguns meses, voltei ao universo de Fundação para concluir a saga com Origens da Fundação. A história começa com Seldon após oito anos tentando desenvolver a psico-história, mas ainda sem resultados concretos. O livro repete a técnica usada por Asimov nos demais volumes: saltos temporais que aceleram a narrativa, mostrando Seldon envelhecendo e enfrentando novos opositores políticos. O primeiro arco gira em torno da tentativa de golpe contra Demerzel; já no segundo, dez anos se passaram e Seldon ocupa o posto de primeiro-ministro. Mas, embora a estrutura seja familiar, senti que os conflitos necessitavam de peso real. São conspirações, rebeliões e atentados que nunca chegam a gerar consequências sérias. Tudo se resolve no último instante, quase sempre por conveniências narrativas que lembram planos mal elaborados de quadrinhos infantis. Outro ponto que me incomodou foi o tratamento dado a Dors Venabili. Antes, em Prelúdio à Fundação, apresentada como uma personagem forte, destemida e até mesmo opiniosa, aqui é reduzida ao papel de protetora passiva de Seldon, sustentando o lugar-comum da mulher que existe apenas para manter a calma ao redor do “gênio” masculino. Além de soar misógino, há momentos em que Dors é descrita de maneira incoerente com sua natureza robótica, expressando ciúmes, preconceito e até moralismo barato diante da escolha de Raych, seu filho adotivo com Seldon, por Manella como esposa. A rivalidade feminina instaurada entre duas das três únicas mulheres da trama só reforça a fragilidade na construção das personagens. A condução de Seldon também decepciona. A figura lendária e estratégica apresentada na trilogia original dá lugar a um homem que envelhece reclamando desde os quarenta anos e que é imprudente a ponto de colocar o próprio filho em missões arriscadas e desnecessárias. Quase no final do livro, sua insistência em se expor ao perigo nas ruas de Trantor, mesmo após agressões e prisões, beira o absurdo. Em vez de um homem sábio e de um visionário pragmático, encontramos um personagem constantemente salvo por terceiros e por conveniências narrativas. A leitura teve seus méritos: o texto é fluido, recheado de diálogos, e o simples fato de retornar ao universo de Fundação ainda desperta curiosidade. Contudo, a sucessão de vilões e conspirações frágeis torna a experiência cansativa. Faltou peso, faltaram consequências, e sobrou a sensação de que tudo era inflado apenas para justificar novos capítulos. No fim, a obra conduz diretamente ao ponto de partida da trilogia original, mas deixa um gosto agridoce. Senti insatisfação pelo desenvolvimento de Seldon e pelo empobrecimento das personagens femininas, mas também satisfação pessoal por concluir essa jornada, mesmo que nesses últimos quatro volumes que expandem a saga eu não tenha encontrado o mesmo brilho da trilogia original. Foi uma leitura de altos e baixos, que só se sustentou pela força do universo criado por Asimov e pela companhia do meu grupo de leitura, que tornou o processo muito mais prazeroso.

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