Papéis Avulsos (Box 11 Livros | Machado de Assis + Complemento de Leitura) -

    Machado de Assis

    Penkal
    2021
    167 páginas
    5h 34m
    ISBN-13: 9786589845050
    Português Brasileiro

    Papéis Avulsos é um livro que reúne doze contos publicados por Machado entre os anos de 1875 e 1882. Aqui estão verdadeiros primores do conto machadiano, como O Alienista – também visto como uma novela, dada sua estrutura -, que narra a história de Simão Bacamarte, um reconhecido médico que funda a Casa Verde, um local para realizar seus estudos sobre a mente humana. Nesse texto, os limites entre a loucura e a sanidade são postos à prova, claro que com toda a ironia e humor do texto de Machado. Em Teoria do Medalhão, o enredo é bastante simples: um pai e um filho – após o aniversário de 21 anos deste – conversam a sós. O pai então aconselha o jovem a ser um “medalhão”, um sujeito rico e famoso. O processo para alcançar atributos tão desejáveis não é lá dos mais nobres. Já em O Espelho, um homem chamado Jacobina expõe aos seus amigos sua “teoria sobre as duas almas”: uma exterior e outra interior. Por detrás de uma suposta discussão filosófica, esconde-se uma refinada análise do comportamento humano. Nesses e nos demais contos, estão reunidas todas as características que eternizaram Machado no cânone literário brasileiro, como a sondagem psicológica, a ironia e a análise do comportamento das personagens.

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    Matheus Petris21/12/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Unidade na diversidade

    Unidade na diversidade. Essa é uma boa definição para Papéis Avulsos. A definição não é minha, é de Jaison Luís Crestani. Essa é a seiva do terceiro livro de contos machadianos. A diversidade é enfatizada pela afirmação de Machado na advertência do livro, quando fala que este título parece negar uma unidade e, logo em seguida, afirma que “a verdade é essa, sem ser bem essa”. Isto é, essa diversidade, essa escolha de textos avulsos, compreende uma diversidade proposital. Ao meu ver, uma diversidade mais formal do que conteudística. Se Machado abre o livro frisando a importância do leitor na relação com o livro, o trecho a seguir de “A Chinela Turca”, serve como chave de leitura do livro enquanto unidade: “Um bom negócio e uma grave lição: provaste-me ainda uma vez que o melhor drama está no espectador e não no palco”. O que, nas palavras de Crestani (2014, p. 326) evidencia “a exigência de uma participação decisiva do leitor no sentido de acionar o dispositivo irônico e a desenvoltura paródica que fundamentam o conjunto de textos reunidos no volume”.

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