Sinhazinha -

    Afrânio Peixoto

    Civilização Brasileira
    1975
    136 páginas
    4h 32m
    ISBN-10: 1245556282
    Português Brasileiro

    O romance retrata os períodos posteriores às lutas decorrentes do drama vivido pela tia do poeta Castro Alves, Pórcia de Castro, filha do Major Silva Castro, herói da Guerra de Independência da Bahia, raptada por Leolino Pinheiro Canguçu. "Em Sinhazinha, seu último romance, Afrânio Peixoto, seguindo ainda o rico veio de Alencar, deu um exemplo de reconstituição histórica, narrando as lutas sangrentas entre duas famílias tradicionais do alto São Francisco; mas aquele mesmo mundanismo diplomático que lhe desvirilizara os primeiros romances o impediu aqui de ascender à epicidade bronca que o argumento propiciava." Alfredo Bosi

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    Carla Silva12/06/2016Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Sertão, Vingança, Amor Impossível... e a Ação das Mulheres

    A feitura delicada de Afrânio Peixoto para as figuras femininas eu já conhecia de "Maria Bonita". Li críticos desfazendo dos seus perfis de mulher, mas eram críticos homens, e eu sou mulher - então, sim, acho que são perfis bem realizados no esforço do autor de combinar coragem moral com recato e reserva, as características exigidas das mulheres de respeito da época em que foi escrito o romance - 1929. Mas, há também essa coragem - em Maria Bonita, em Sinhazinha (a jovem Clemência), em D. Emília - uma coragem que lhes mostra, mais rápido do que aos homens, onde está a justiça e onde começa o desvario. Sendo mulheres, numa sociedade patriarcal, há de ser preciso mais do que doçura e mansidão para fazer o que é certo; há de existir um pouco de audácia também, misturada à coragem. Uma audácia sutil, de mulher... Ao fim, para que a vingança não triunfe, nem tampouco o caminho para o ódio, as mulheres decidirão o que é certo; com astúcia, nesse ambiente de violências. Disfarçadamente. Porque se trata de um mundo de homens. Afrânio Peixoto conseguiu contar sua história de amor - aliás, entremeada de outras, narradas aqui e ali por outros personagens, histórias dentro da história - combinando ternura e paixão física. A ternura, que D.H. Lawrence nunca conseguiu mesclar na sua valorização da paixão física; e esta, aqui, no romance de Peixoto, como um valor positivo que nada mais é do que o coroamento do amor verdadeiro. Um bom romance para ser lido no dia dos namorados.

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