Zami - uma nova grafia do meu nome — uma biomitografia

    Audre Lorde

    Elefante
    2021
    464 páginas
    15h 28m
    ISBN-13: 9786587235622
    Português Brasileiro

    “Nós precisamos de Zami, das memórias que compõem este livro, pois são memórias e histórias que nos atravessam, ainda que não sejam contadas ou que sejam postas em silêncio por pudor, por vergonha imputada, em nome da ordem, porque insistem em dizer e tentar nos convencer de que aquilo que somos não é certo ou não importa. Zami guarda histórias pelas quais almejamos porque são nossas histórias. Lorde, você nos ensina a encontrar voz e a saber usá-la, a buscar aquelas palavras das quais precisamos e desejamos. Que presente inestimável te encontrar nesta vida, te encontrar mais uma vez aqui. Zami, pensei, ao chegar ao fim de suas páginas já com saudades, é um dos galhos daquelas árvores que a pássara sem pés tanto procurou, pois aqui, no abrigo de suas folhagens, pousamos em segurança como no colo de nossas mães, todas elas.” — Cecília Floresta, no prefácio *** Publicado originalmente em 1982 e até então inédito em português, este livro de Audre Lorde — poeta, ensaísta e ativista negra e lésbica — narra os primeiros passos de sua jornada até a “casa de si mesma”, em uma trajetória marcada, do início ao fim, pela conexão com outras mulheres. Chamado não de autobiografia, mas de biomitografia, é um emaranhado indissolúvel de conteúdo autobiográfico e ficção, no qual as histórias das mulheres que fizeram parte da vida da autora são reverenciadas e integradas à sua própria construção identitária. Zami traz as recordações dos primeiros 23 anos da vida de Lorde — de sua infância, marcada pela personalidade grandiosa de sua mãe, pela descoberta do mundo, da injustiça e do pertencimento; de sua adolescência, quando florescem os primeiros poemas; de sua juventude, com a descoberta do amor homossexual e as consequentes dificuldades de ser lésbica e negra nos anos 1950. Zami é a força dessas mulheres que amam umas às outras. Lorde oferece ao público as suas praias da memória, que guardam a cor da solidão, os lugares secretos da dor, mas também os rituais de mulheres negras penteando os cabelos de suas filhas, o cheiro macio da manhã, as marés do corpo forte da amante no encontro erótico. Mais do que isso, Zami dá voz e reconhecimento àqueles corpos constantemente silenciados, indesejáveis aos olhos do patriarcado branco e heterossexual, mas que resistem, não cedem, permanecem. Que erigem a morada da diferença e se fortalecem sob o amor e o afeto que tornam a vida possível.

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    Natalia Chaves Oliveira20/03/2025Resenhou um livro
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    Zami. Um nome de Carriacou para mulheres que trabalham juntas como amigas e companheiras

    Zami é um testemunho sobre uma vida de profundo amor por mulheres. Não só carnal, embora as descrições de sexo sejam das partes mais bonitas do livro. Audre Lorde realmente vivia a sororidade. Dos sentimentos contraditórios em relação a sua mãe às paixões avassaladoras de literalmente queimar a pele, vemos sua vida simples se desenrolar, suave e resistente, como ela mesma coloca. Esse livro ter sido presente de uma grande amiga torna a leitura um ritual, uma prece para as que vieram antes de mim, para que hoje eu saiba contar o meu passado com poesia, e viver plenamente o meu presente. Viva Audre Lorde! "No reconhecimento de amar encontra-se uma solução para o desespero." Pg. 15 "Mulher, para sempre. Meu corpo, a representação viva de outra vida, mais velha, mais longa e mais sábia. As montanhas e vales, árvores, rochas. Areia e flores e água e pedras. Feita na terra." Pg. 23 Sobre os círculos progressistas não abraçarem a pauta LGBT: "Qualquer mundo onde eu não tivesse espaço para amar mulheres não era um mundo onde eu gostaria de viver, nem pelo qual eu poderia lutar". Pg. 357 "Cada mulher que um dia amei deixou sua impressão em mim, e nela amei uma parte inestimável de mim mesma fora de mim" Pg. 453 "Zami. Um nome de Carriacou para mulheres que trabalham juntas como amigas e companheiras." Pg. 453

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