Zami é um testemunho sobre uma vida de profundo amor por mulheres. Não só carnal, embora as descrições de sexo sejam das partes mais bonitas do livro. Audre Lorde realmente vivia a sororidade. Dos sentimentos contraditórios em relação a sua mãe às paixões avassaladoras de literalmente queimar a pele, vemos sua vida simples se desenrolar, suave e resistente, como ela mesma coloca. Esse livro ter sido presente de uma grande amiga torna a leitura um ritual, uma prece para as que vieram antes de mim, para que hoje eu saiba contar o meu passado com poesia, e viver plenamente o meu presente. Viva Audre Lorde!
"No reconhecimento de amar encontra-se uma solução para o desespero." Pg. 15
"Mulher, para sempre. Meu corpo, a representação viva de outra vida, mais velha, mais longa e mais sábia. As montanhas e vales, árvores, rochas. Areia e flores e água e pedras. Feita na terra." Pg. 23
Sobre os círculos progressistas não abraçarem a pauta LGBT: "Qualquer mundo onde eu não tivesse espaço para amar mulheres não era um mundo onde eu gostaria de viver, nem pelo qual eu poderia lutar". Pg. 357
"Cada mulher que um dia amei deixou sua impressão em mim, e nela amei uma parte inestimável de mim mesma fora de mim" Pg. 453
"Zami. Um nome de Carriacou para mulheres que trabalham juntas como amigas e companheiras." Pg. 453