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    Aias (Biblioteca Pólen) -

    Sófocles

    Iluminuras
    2008
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9788573211740
    Português Brasileiro
    4.2
    52 avaliações
    Leram85Lendo1Querem56Relendo0Abandonos0Resenhas3
    Favoritos3Desejados56Avaliaram52

    Aias é o mais valoroso guerreiro grego depois de Aquiles. Quando Aquiles é morto em combate, Aias julga-se merecedor de suas armas. Foi ele quem defendeu o cadáver de Aquiles do assédio troiano. Mas os chefes da expedição concedem as armas a Odisseu. O herói, despojado de sua timé (honra), quer vingança e pretende trucidar os responsáveis – antes aliados – e agora inimigos. Segue, à noite, doloso, para as tendas aquéias. Age de acordo com a máxima heróica do “fazer bem aos amigos e mal aos inimigos”. A deusa Atena intervém e atira sobre seus olhos “imagens extraviadoras” (v. 52). Arrebatado por “demente doença” (v. 59), investe contra os rebanhos do exército, crendo massacrar os inimigos. Por duas vezes, Aias ofendera os deuses. Quando parte para a guerra, seu pai o aconselha a triunfar sempre com a ajuda de uma divindade. Arrogante, alega que com os deuses qualquer um venceria. Ele deseja obter glória sem o auxílio divino. Mais tarde, quando Atena lhe oferece ajuda durante o combate, o herói a desdenha: que socorresse a outro, ele não precisaria dela. Atrai assim a ira divina: humano, Aias não pensa como mortal. No início da peça, encontra-se ele em sua barraca a supliciar uma rês, que acredita ser Odisseu. O verdadeiro Odisseu espreita o local, rastreando vestígios do ocorrido. Atena vai ao seu encontro e confirma as suspeitas: era Aias o autor da carnificina. A deusa o chama para fora e ele é só desatino: vangloria-se de seus feitos. Quando sai de cena, ela pergunta ao protegido: “Vês, Odisseu, a força dos deuses quão grande é?” (v. 118). Atena sugerira ao herói que risse do inimigo (v. 79), outra máxima heróica. Ao contrário, Odisseu apieda-se de Aias, pois com ele compartilha a instável e precária condição humana. Conclui que nada mais somos do que fantasmas, sombras vãs (vv. 125-6). Atena o exorta a jamais ser soberbo com os deuses, “pois um só dia dobra e reergue de volta / tudo o que é humano...” (vv. 131-2). Os deuses amam os sensatos. Nada mais alheio à têmpera de Aias, herói que não transige e que levará às ultimas conseqüências sua grandeza e soberbia: ele pensa, fala e age como um deus. Esta bela obra de Sófocles foi primorosamente traduzida e apresentada por Flávio Ribeiro de Oliveira. Sua versão revela fina e elaborada fidelidade ao original. A começar pela transliteração do nome do protagonista. Não é aleatória sua opção por Aias no lugar de Ájax. O próprio herói a justifica (vv. 430-33): seu nome ecoa a interjeição de dor (aiai, v. 430) com que inicia seu lamento (aiázein, v. 432); ecoa enfim seus males, numa perfeita simetria entre nome e destino. Prazeroso e inspirador é ler um trabalho cujo autor, além de ter vasta e firme formação literária e filológica, escreve sob a inspiração das Musas.

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    Lucas Schönhofen Longoni picture
    Lucas Schönhofen Longoni22/12/2024Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Um esforço interpretativo

    A unidade temática da tragédia diz respeito ao "como se deve viver", ou o que significa ser razoável e sensato, em um cosmos instável e heraclitiano, e que devemos prestar atenção aos três modelos: i) Aias, aquele que se dirige à máximas heroicas e se põe como os deuses; ii) Menelau, Agamêmnon, Teucro; aqueles que buscam serem pragmáticos e tementes aos homens, a todos se curvando e se esgueirando segundo as circunstâncias; iii) Odisseu, aquele que se dirige a um meio termo de respeito a nossa condição humana frágil que nos faria, sim, condescentes e empáticos com as circunstâncias, mas também conscientes do valor daqueles que buscaram dirigir a história em lampejos de heroísmo. Ou seja, i e ii representam extremos, iii a justa medida. Destaque para o o momento em que Aias sai da barraca no segundo episódio, após ter determinado seu suicídio. Revela que ele subjetivou as razões que o empurram para este caminho. Tudo se resume a uma incompatibilidade entre a natureza do herói e os "novos" tempos, ou simplesmente a natureza movente do cosmos e da história. Pois enquanto aquela é intransigente e dura em relação a seus códigos de conduta, estes exigem uma certa sensatez, isto é, uma certa aceitação da condição humana na qual o homem "dobra e reergue de volta em um só dia", podendo estar em baixo ou em cima, tendo que se adaptar e a compreender os momentos. "Por isso no futuro saberemos aos deuses ceder e aprenderemos a venerar os Atridas. São chefes; deve-se retroceder - por que não?". Aias assim pinta negativamente aquilo que entende mas não quer aceitar. "[...] para a maior parte dos mortais é infiel o porto da camaradagem". O tempo de inimigos eternos e de amigos eternos se encerrou, daqueles se guiam por verdades eternas. Sendo assim, Aias prefere morrer. Prefere seguir seu código de heroi. Mas "mesmo se agora padeço, estou salvo!", pois compreendeu.

    7 curtidas

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    Σοφοκλῆς

    Escreveu aproximadamente cem peças e foi vinte vezes vencedor nos concursos de teatro da antiga Grécia. De suas peças, apenas sete chegaram à atualidade. Sete tragédias, obras primas e independentes entre si. Por ordem cronológica temos: Antígona, Electra, As Traquíneas, Édipo Rei, Ájax, Filoctetes, e Édipo em Colono.

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    Ática, Hélade

    Σοφοκλῆς