Sinceramente nunca imaginei demorar tanto pra ler 150 páginas, mas enfim... é um bom livro, só procrastinei mesmo. A obra do Boxer mostra uma perspectiva interessante sobre o papel da Igreja militante na expansão ibérica e as relações que a Santa Fé estabeleceu com os diversos povos ao redor do globo. Claro, algumas coisas são bastante simplificadas, uma vez que o livro não possui nem duzentas páginas, e também acredito que o autor às vezes se enquadre até mesmo num ponto de vista positivista da história.
Por outro lado, o livro explora aspectos extremamente interessantes, como a criação de um sub-clero por conta do preconceito racial e sentimento de superioridade europeu. O autor também dá espaço para os embates existentes dentro da própria Igreja, seja entre as ordens religiosas, seja com o clero secular e a Coroa. Esse é um ponto interessante e que rompe a visão de uma instituição uniforme e com objetivos claros. Também gosto da forma do Boxer de organizar sua linha de raciocínio: quando trata de um assunto, busca dividir como ele se desenvolveu em diferentes regiões (Goa, China, Japão, Brasil, etc). Isso é um ponto positivo, já que ele apresenta a visão da presença portuguesa em diversos pontos além da América, mesmo que a presença lusitana em locais como a Ásia tenha sido bastante breve. Entretanto, as simplificações do Boxer me desagradam, gostaria de ter uma visão mais complexa do assunto, mas entendo que este talvez não seja seu objetivo.
Por fim, admiro muito o controle das fontes que o autor apresenta ao longo da obra, citando-as com cuidado e às vezes até levantando dúvidas junto ao leitor sobre elas, o que é bastante interessante.