Certos livros tem o poder de ficar ecoando após a leitura, e essa trilogia tem exatamente essa força.
Tove, escritora dinamarquesa, nascida em 1917, soube transformar suas dores mais íntimas, desde a infância até a maturidade, em uma obra prima intensa e angustiante. Um relato sem romantização, nem drama, abordando temas universais como identidade, desejo, relações difíceis e os muitos desafios para encontrar o seu próprio lugar no mundo, principalmente sendo mulher, pobre e poeta.
São três livros, sendo dois lançados na década de 60 e o último na década de 70, pouco antes do seu suicídio.
A primeira parte, a infância, realmente é a perspectiva do ponto de vista de uma criança negligenciada, que cresce em uma família tumultuada, sem apoio, nem afeto, embora seus pais não fossem pessoas más, apenas sem recursos e perdidos nas suas próprias questões.
Relembrando Lya Luft, que diz que " a infância é chão que pisamos a vida inteira", no decorrer da narrativa sentimos que essa falta, esse vazio, acompanhará Tove, durante toda sua vida.
É a história de uma vida e de tantas outras vidas negligenciadas na infância. A narrativa te emociona e te pega pela mão; já na juventude, o desafio é sobreviver em subtrabalhos, casamento ruim mas necessário para viabilizar seu sonho de ser poeta. Traição, maternidade, aborto, divórcio e mais casamento ruim, a vida como ela é, sem filtros; até chegar a derradeira dependência. O grande mergulho: onde a dor e a mente silenciam por breves momentos, mas é também, quando ela perde a si mesma, os filhos, as palavras, o tempo, a vida e tudo que conquistou.
Foi a parte mais difícil, um desalento sem fim. Tove não escreve memórias, ela mostra suas cicatrizes.
Confortably numb do Pink Floyd ❤️
Álbum da Lana, Did you know that there's a tunel under Ocean Boulevard 💙🥹