Fantoches -

    Erico Verissimo

    [Porto Alegre] Edição da Livraria do Globo
    1932
    212 páginas
    7h 4m
    ISBN-10: 8535910905
    Português Brasileiro

    "Este livro, que não tem unidade, compõe-se de um punhado de contos bem diferentes uns dos outros, e escritos em épocas diversas. São vários e múltiplos como o próprio espetáculo da vida. Dentro deles falam e gesticulam fantoches de todo o feitio: graves e pandengos, sombrios e luminosos, agitados e serenos. Ao puxar os cordéis o autor teve muita vez em mente aquela opinião do velho Anote france, segundo o qual "si l'on veut nous dire une belle históire, il faut bien sortir un peu de l'xperience et l'usage..." --- E. V. ==== TEMA: CON CHEV: 1932 - Revolução Constitucionalista em São Paulo. Primeira audição das Bachianas Brasileiras nº 1 de Villa-Lobos. Publicação de Menino de Engenho, de José Lins do Rego e Cacau, de Jorge Amado, Primeiras obras do Romance de 30.

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    Filipe Quevedo03/04/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Eu, Verissimo e seu primogênito

    <i>"Há uns vinte anos, relendo os contos que formam o presente volume, tive a sensação de ser pai de mim mesmo. Tornando a lê-los agora, vinte anos mais tarde, sinto-me como se fosse o meu próprio avô..."</i> - Erico Verissimo, 1972. Primeiro livro lançado por Verissimo em 1932, Fantoches e outros contos é formado por diversos textos, na maioria bem curtos, alguns em formato de peças teatrais. Em 1972 a editora Globo, em comemoração aos 40 anos do lançamento do livro, resolveu fazer uma edição "fac-similada" e ainda convidou Erico para que ele tecesse comentários dos textos contidos no volume. Assim, as páginas de <b>Fantoches</b> (nome da primeira parte do livro), até pouco mais de sua metade, são peculiares. É até difícil explicar mas vou tentar. As margens verticais de fora (as que ficam junto ao corte) são largas (medi 4,5cm nesta minha edição), assim como as margens horizontais inferiores (também 4,5cm). São nestas margens que Erico faz os comentários sobre os textos, bem como ilustrações. Isso torna o livro bastante bonito em sua composição gráfica. <i>"Concluí que seria de algum interesse fazer, de meu próprio punho, algumas notas críticas ou simplesmente informativas às margens destas páginas. Quanto às ilustrações, reconheço que são absolutamente desnecessárias. Se as fiz, foi somente para me divertir."</i> - Erico Verissimo, 1972. Ele sublinha passagens nos textos e depois as comenta; faz balõezinhos com notas; faz quadradinhos com críticas, desenha personagens... O que pode ser um empecilho é a caligrafia de Verissimo. Às vezes é difícil entender a escrita cursiva do autor. Posso dizer, no mínimo, que já vi letras mais legíveis... A partir da página 217 o livro, em sua parte gráfica, torna-se comum ao começar a parte <b>Outros contos</b>. O último texto da parte <b>Fantoches</b> chama-se Nanquinóte e este me foi assaz especial. Nele "um autor" cria (desenha) um personagem à sua própria imagem. Logo depois de terminado, o bonequinho, Nanquinóte, ganha vida e começa a conversar com seu pai. Diz para ele que deseja a liberdade, quer desbravar o mundo. O autor não quer conceder, deseja proteger seu filho do mundo agressor. Nanquinóte foge, então. O final você terá que descobrir... (Muitos outros textos do livro tratam dessa relação entre criador e criatura.) Difícil explicar como criei tanta empatia por essa historieta em tão poucas páginas. Parecia-me que o bonequinho realmente existia e me peguei desejando conhecê-lo. Tomei as dores do autor e também quis proteger Nanquinóte da vida. Talvez o fato de haver no livro vários desenhos do bonequinho feitos por Erico tenha o tornado mais real. Ah, como em alguns singelos momentos a literatura é capaz de transcender-se! Ademais, não achei nenhum textos do livro ruim, no máximo fiquei indiferente a alguns. É, pois, muito interessante conhecer textos do início de carreira de um autor e mais interessante ainda ver um escritor revisitando sua obra, lendo suas próprias histórias 40 anos depois de tê-las escrito e, de alguma maneira, conversando com seu Eu mais jovem. O livro vale muito a pena.

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